“Novas ideias para a floresta” é um projeto do jornal Expresso com o apoio da Navigator, que reúne, no papel e no digital, 30 sugestões inovadoras de diversas personalidades para proteger e valorizar os recursos florestais em Portugal. Esta semana um dos contributos é do Diretor do CESAM, Professor Amadeu Soares.
Também conhecidos como bosques ribeirinhos, as galerias ripícolas “acompanham os cursos de água e são essenciais para a estrutura ecológica do território” explica o professor catedrático e Diretor do Laboratório Associado CESAM (Centro de Estudos do Ambiente e do Mar) da Universidade de Aveiro. Elabora Amadeu Soares que “funcionam como zonas de transição entre ambientes aquáticos e terrestres, oferecendo múltiplos serviços ecossistémicos” pelo que “a sua importância ecológica, hidrológica, paisagística e social é ampla e assume especial relevância em territórios sujeitos a fragmentação, monoculturas florestais, sobretudo de eucalipto e pinheiro, urbanização e intensificação agrícola”. Tudo somado, “estes corredores naturais aumentam a biodiversidade, facilitam o movimento de espécies e promovem o fluxo genético entre habitats isolados” e é evidente que “a requalificação das galerias ripícolas representa uma medida cirúrgica e eficaz, capaz de aumentar a mancha de floresta autóctone de forma estratégica e transversal, ligando ecossistemas mesmo em paisagens dominadas por outros usos”.
Trata-se de uma “intervenção que pode ser faseada e integrada em planos de gestão local, regional e nacional, priorizando áreas degradadas com alto potencial de reconexão ecológica” além de ser “uma solução sustentável que reforça a resiliência climática, valoriza o território e contribui para a saúde ecológica das paisagens”. Sem esquecer que “cuidar da floresta exige também presença humana”, sobretudo quando “o abandono prolongado das zonas rurais reduziu drasticamente a vigilância no terreno e quebrou a continuidade no conhecimento do território”. Por isso, Amadeu Soares diz ser “urgente recuperar e reativar as antigas casas dos guardas florestais — equipamentos públicos dispersos, hoje na sua maioria ao abandono, que podem voltar a ter função habitacional e estratégica”. Como faz questão de lembrar, “é na continuidade entre ecologia e comunidade que reside a verdadeira resiliência”.
Notícia completa aqui.