Iniciam-se esta semana os trabalhos da cátedra não académica entre o CESAM/UA, e o Porto de Aveiro. Esta iniciativa pioneira no contexto nacional visa aprofundar o conhecimento científico na interface entre a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento económico ligado ao setor portuário.
Américo Soares Ribeiro, do CESAM/DFIS, é o investigador contratado ao abrigo desta cátedra, cofinanciada pela FCT, pela Administração do Porto de Aveiro e pelo CESAM/UA. Esta cátedra, com a duração de seis anos, insere-se no programa FCT–Tenure, o qual visa promover a contratação de investigadores em instituições científicas portuguesas, em estreita colaboração com entidades não académicas, como é o caso da Administração do Porto de Aveiro.
O desenvolvimento do Porto de Aveiro implica intervenções na melhoria das suas acessibilidades marítimas e infraestruturas portuárias. Estes projetos, a par dos efeitos esperados das alterações climáticas, como a subida do nível do mar, o aumento da erosão costeira ou o assoreamento, exigem um conhecimento aprofundado que permita compatibilizar o crescimento do Porto com a zona envolvente. Os trabalhos da Cátedra irão incidir, assim, sobre temas como a modelação hidrodinâmica, a avaliação dos impactos ambientais das operações portuárias e a sua adaptação às alterações climáticas, com especial atenção à Ria de Aveiro, um ecossistema classificado como Zona de Proteção Especial (ZPE).
O desenvolvimento de modelos numéricos capazes de simular os processos hidrodinâmicos na Ria de Aveiro, incluindo marés, padrões de ondulação resultantes da ação do vento e correntes, constitui um dos principais objetivos em curso no CESAM/UA. Estes modelos são também fundamentais para o acompanhamento técnico dos projetos portuários, permitindo antecipar os eventuais impactos ambientais decorrentes das intervenções de desenvolvimento no Porto de Aveiro.
A colaboração entre o CESAM/UA e a Administração do Porto de Aveiro traduz-se numa abordagem integrada, baseada em evidência científica, que visa assegurar a compatibilização entre os objetivos de crescimento económico e os imperativos de sustentabilidade ecológica e adaptação às alterações climáticas. Esta articulação entre ciência e prática operacional reforça a capacidade da região para enfrentar os desafios associados à gestão costeira e à resiliência dos sistemas estuarinos.
Notícia original em: Notícias UA, 15 Julho 2025