Neste novo número, o projeto “Aprender com o CESAM” explora como peles de peixe e cascas de crustáceos, muitas vezes tratadas como resíduos, podem ser transformadas em materiais valiosos para a medicina, a agricultura e a conservação de alimentos. O mar é uma vasta fonte de recursos que podem contribuir para a saúde, para a proteção do ambiente e para a criação de novos produtos, utilizando uma abordagem de desperdício zero. Em muitas fábricas, partes como peles, escamas, espinhas e cascas de camarão ou caranguejo são descartadas, mas a investigação científica mostra que estas podem ser transformadas em substâncias fundamentais, como o colagénio e a quitina, que dá origem ao quitosano.
Estes materiais, chamados biopolímeros, são grandes moléculas de origem natural, biodegradáveis e compatíveis com o organismo humano e com o ambiente. Na área da saúde e cosmética, o colagénio, que compõe cerca de 30% das proteínas do corpo humano, é estudado para pensos de cicatrização, suplementos e hidratação da pele. Já o quitosano permite criar partículas minúsculas que transportam fármacos para locais específicos do corpo de forma controlada. Além destas aplicações, o quitosano pode ser utilizado em películas para proteger alimentos, atrasando a deterioração, ou como uma “esponja” para capturar metais pesados e limpar águas poluídas. Na agricultura, funciona ainda como um estimulante de crescimento e protetor natural das plantas, podendo ajudar a reduzir o uso de pesticidas químicos.
O artigo original, da autoria de Mariana Almeida e Helena Vieira, investigadoras do CESAM/DAO, destaca que a valorização destes resíduos é um exemplo prático da economia circular e da bioeconomia azul, que promovem o uso responsável dos recursos oceânicos. Embora países asiáticos liderem atualmente o registo de patentes nesta área, a investigação em Portugal e na Europa é relevante e está a evoluir para métodos de extração mais sustentáveis, recorrendo a enzimas e solventes “verdes” em vez de químicos agressivos. Ao transformarem o que parecia ser apenas lixo em soluções úteis, estes materiais marinhos tornam-se aliados na construção de um futuro mais sustentável, contribuindo diretamente para diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Pode saber mais e explorar os desafios propostos em: https://www.cesam-la.pt/aprender-com-o-cesam/atividade-no-3/