Ricardo Calado, investigador do CESAM/DBIO, foi distinguido com o Prémio Investigador UA 2026, em reconhecimento ao seu contributo científico na área da economia azul.
A distinção foi atribuída no âmbito dos Prémios UA, que visam reconhecer o mérito e o impacto de quem se destaca no contexto universitário. O júri atribuiu o 1.º Prémio a Ricardo Calado, sublinhando o seu percurso científico de excelência, marcado por uma produção científica expressiva, com 304 artigos publicados, maioritariamente na área da economia azul.
Para além da sua atividade científica, Ricardo Calado tem assumido um papel central na liderança de iniciativas estratégicas, nomeadamente na criação do Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura (CITAQUA), uma infraestrutura em desenvolvimento junto ao ECOMARE, na Gafanha da Nazaré. Este centro integrará o polo de Aveiro do Hub Azul – Rede de Infraestruturas para a Economia Azul, reforçando a posição da Universidade de Aveiro na promoção de soluções inovadoras para o setor do mar.
O investigador refere que “este prémio é um incentivo para continuar a promover a excelência da investigação nas áreas da bioeconomia azul na Universidade de Aveiro, apostando em infraestruturas e equipamentos únicos a nível nacional e até europeu, e que continuará a dar o seu contributo para concretizar o potencial que todos reconhecemos no Mar Português.”
Durante a cerimónia, o Vice-reitor para a Investigação, Artur Silva, destacou a elevada qualidade das candidaturas e a importância do trabalho colaborativo na produção científica, um aspeto também sublinhado pelos investigadores premiados.
Os Prémios UA foram entregues no passado dia 17 de abril, numa cerimónia presidida pelo Reitor, Paulo Jorge Ferreira, que destacou a importância de reconhecer quem contribui de forma significativa para o avanço do conhecimento, a formação de pessoas e o impacto na sociedade.
Nos Prémios UA, foram ainda atribuídas distinções nas áreas de Boas Práticas Pedagógicas e ao pessoal técnico, administrativo e de gestão (TAG), reforçando o compromisso da Universidade de Aveiro com a valorização do mérito em todas as suas dimensões.
As Nações Unidas celebram o Dia Mundial da Terra de 2026, sob o tema central “Nosso Poder, Nosso Planeta”, destacando que o progresso ambiental é sustentado pelas ações diárias das comunidades para as quais há o dever de informar e mobilizar a opinião pública sobre a urgência da crise climática.
Passado o primeiro quarto do seculo XXI, o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC), indica que em consequência à subida da temperatura média global, o nível médio global do mar está a subir mais rapidamente do que no início deste século, tendo como fator dominante a expansão térmica do oceano. Até ao final deste século, dependendo dos cenários de subida média da temperatura global, o nível médio do mar pode também subir para valores situados numa faixa próxima a 0.40 m, ou em alternativa, num cenário menos otimista, numa faixa próxima a 0.90 m. Como consequência, 70% das zonas costeiras a nível global, que já estão expostas a processos de erosão e galgamento de defesas naturais, poderão ver as consequências destes processos agravadas. Particularmente grave é a situação dos países do sul da Europa, nos quais se inclui Portugal, em que os níveis extremos do mar, que tinham num passado recente, de acordo com relatórios do IPCC, períodos de retorno de 100 anos, têm atualmente períodos de retorno inferiores a 10 anos. As zonas costeiras baixas e arenosas são as que mais sofrem as consequências, as quais se evidenciam, após eventos de temporal.
O trabalho desenvolvido no CESAM na componente de estudo dos processos costeiros, em praias arenosas da costa ocidental de Portugal, considerada uma das mais energéticas do mundo, coloca desafios significativos ao nível da aquisição de dados. Os desenvolvimentos tecnológicos atualmente em curso colocam à disposição da investigação equipamentos com maior capacidade de aquisição de dados. A constituição de series observacionais, relativos a conjunto de indicadores costeiros relevantes para o estudo de processos costeiros (e.g. posição da linha de costa, largura da praia, taxas de erosão dunar, galgamento costeiro, batimetria de barras submersas), com elevada cobertura e resolução temporal, começa a ser possível com recurso a métodos indiretos de observação (imagens de câmaras de video), o que está a permitir mudar o paradigma da monitorização costeira de uma realidade de escassez de dados para a nova realidade de abundância de dados. Paralelamente, a atual capacidade computacional permite a aplicação das novas abordagens de inteligência artificial no processamento e análise de resultados, essencial não só para a deteção automática e quantificação de indicadores costeiros, mas também para a sua previsão a curtas escalas temporais (dias/semanas). Esta mudança de paradigma está a começar a mudar o panorama da monitorização costeira em Portugal, perspetivando-se que serviços operacionais de deteção automática, e em tempo real, com capacidade de previsão de indicadores costeiros relevantes para propósitos de gestão em praias arenosas, particularmente sensíveis a processos de erosão, e em zonas portuárias, sejam implementados num futuro muito próximo. Nesse sentido, a investigação realizada no CESAM pode considerar-se pioneira nestes tópicos.
A estação piloto do CESAM na Praia de Mira, estabelecida no âmbito de um protocolo de colaboração celebrado entre a UA e o município de Mira, em 2017, e instalada num dos hot spots de erosão costeira do litoral de Aveiro, é um dos vários protótipos da UA onde estes serviços operacionais começaram a ser testados, pretendendo também contribuir para avaliar a eficácia de medidas implementadas, como a reposição artificial de areia. As estações piloto do CESAM, instaladas nas administrações portuárias da Figueira da Foz, Ericeira e Sines, no âmbito de projetos de investigação, com objetivo de estimativa da batimetria e extração de parâmetros de agitação marítima local e deteção de galgamento de infraestruturas costeiras, são outro exemplo da investigação em curso, que visa a maturação tecnológica, com base em conceitos de ciência fundamental e aplicada, num trabalho realizado por uma equipa interdisciplinar do CESAM. Perspetiva-se que num futuro próximo, replicadores destes protótipos com maior maturidade tecnológica, venham a ser instalados noutros locais do território nacional, num contexto de transferência tecnológica. Pretende-se que o futuro possa passar pelo contributo destas novas ferramentas na formação de uma opinião informada, por parte de decisores, mas também pelo contributo para informar e mobilizar a opinião pública em torno destas temáticas contribuindo para um melhor alinhamento destes tópicos com os objetivos das Nações Unidas.
No CESAM, esta investigação enquadra-se na Linha Temática 1 – Alterações Climáticas, Adaptação e Mitigação, que integra nos objetivos a avaliação da vulnerabilidade dos ecossistemas terrestres às alterações climáticas e o desenvolvimento de estratégias de adaptação e mitigação; e na Linha Temática 3 – Sistemas Socioecológicos e Recursos através da partilha do conhecimento, incluindo os decisores políticos, as comunidades locais e a industria, para co-desenhar soluções para a utilização sustentável dos recursos. Esta investigação é desenvolvida de forma integrada através de vários Research Clusters, nomeadamente, RC 1 – Mar Profundo, Oceano e Ecossistemas de Transição, que inclui nos objetivos o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, incluindo deteção remota, modelação numérica, para estudar, monitorizar e prever o comportamento e a evolução de ambientes marinhos e de transição, o RC 3 – -Modelação Oceânica e Atmosférica que inclui nos objetivos avaliar as vulnerabilidades das regiões costeiras às alterações climáticas, e o RC 4 – Gestão e Conservação dos Ecossistemas que integra nos objetivos a implementação estratégias de conservação e restauro, incluindo soluções baseadas na natureza.
Nos últimos anos, diversos projetos do CESAM têm contribuído para aprofundar o conhecimento científico e apoiar a definição de políticas públicas nesta área. O projeto NAVSAFEY que tem como principal fundamento o desenvolvimento de tecnologia que permita a monitorização, de indicadores batimétricos, em tempo quase real, em zonas portuárias com recursos a métodos indiretos de observação; o projeto SHORESAFETY, que tem como objetivo propor uma abordagem integrada baseada em sistemas de video-monitorização para gerar em tempo real modelos topo-batimétricos em praias arenosas e o e o projeto A-AAGORA que desenvolve soluções inovadoras para aumentar a resiliência climática em zonas costeiras, promovendo a integração de conhecimento científico na definição de políticas de adaptação e gestão sustentável.
Figura 1: À escala global, entre 1984 e 2015, a perda permanente de território em áreas costeiras totaliza quase 28.000 km², o que equivale à área do Haiti. Corresponde quase ao dobro da área de terras ganhas (cerca de 14.000 km²) no mesmo período. Fonte: Mentaschi, L., Vousdoukas, M., Pekel, J., Voukouvalas, E., & Feyen, L. (2018). Global long-term observations of coastal erosion and accretion. Scientific Reports, 8. https://doi.org/10.1038/s41598-018-30904-w.
Notícia por Paulo Baganha, investigador do CESAM/DGEO
No dia 12 de abril de 2026, o Primeiro Jornal da SIC emitiu uma reportagem sobre os riscos ambientais associados a um antigo aterro sanitário localizado em São Pedro de Maceda, no concelho de Ovar. A proximidade deste aterro à zona costeira, aliada à progressiva erosão do litoral, levanta preocupações quanto à sua degradação e ao eventual risco de contaminação do meio marinho.
A reportagem contou com os contributos de Amadeu Soares, Diretor do CESAM, e de Paulo Baganha, investigador do CESAM/DGEO, que destacaram os potenciais impactos ambientais decorrentes da exposição dos resíduos depositados, sublinhando a necessidade de monitorização e de medidas preventivas face ao avanço do mar.
A reportagem evidencia o impacto das tempestades registradas entre outubro e fevereiro, que aceleraram o recuo da linha de costa, atingindo cerca de 20 metros, valor acima da média da última década. Esta evolução resulta da reduzida capacidade de reposição sedimentar após eventos extremos, o que aumenta a vulnerabilidade do litoral.
O antigo aterro de Maceda, que funcionou entre 1973 e 1999 como depósito de resíduos urbanos e industriais, encontra-se atualmente a cerca de 550 metros da linha de costa. Apesar de selado, persistem incertezas quanto à composição dos resíduos e aos seus potenciais impactos, sobretudo num cenário de progressiva aproximação do mar.
Ao longo da reportagem, Amadeu Soares destacou que a situação poderá constituir um problema significativo a médio e longo prazo, caso se mantenha a tendência de erosão. O diretor do CESAM sublinhou a importância de considerar horizontes temporais alargados na avaliação destes fenómenos, alertando para possíveis implicações ambientais e de saúde pública associadas à eventual exposição dos resíduos.
Por sua vez, Paulo Baganha reforçou a necessidade de implementar medidas de mitigação baseadas na dinâmica costeira, nomeadamente através de intervenções de alimentação artificial das praias e da monitorização contínua da sua evolução. A eventual exposição do aterro poderá ter impactos nos ecossistemas marinhos e na qualidade ambiental da zona costeira, afetando espécies como peixes, moluscos e cefalópodes, bem como o uso balnear das praias. Neste contexto, as intervenções dos investigadores do CESAM evidenciam a importância de integrar conhecimento científico na gestão do litoral e na definição de estratégias de adaptação às alterações costeiras.
A gestão da paisagem em Portugal deve assumir um papel central na resposta às alterações climáticas, através de uma abordagem integrada que articule floresta, prevenção de incêndios e valorização das comunidades rurais. A perspetiva é apresentada por Bruna Oliveira, investigadora do CESAM/DAO, num artigo de opinião publicado na revista Indústria e Ambiente.
A autora destaca que a gestão florestal deve assumir uma função climática clara, contribuindo para a redução de emissões e o aumento do sequestro de carbono, ao mesmo tempo que diminui o risco de incêndio e reforça a biodiversidade. Este equilíbrio é apontado como essencial para garantir os serviços de ecossistema que sustentam economias rurais viáveis.
No artigo, é destacado o papel multifuncional das florestas portuguesas, que asseguram não só a produção de madeira, cortiça ou biomassa, mas também funções de regulação, suporte e valor cultural. Neste contexto, a gestão sustentável deve equilibrar objetivos económicos, sociais e ambientais, valorizando também serviços muitas vezes menos visíveis.
Perante o agravamento das alterações climáticas, Bruna Oliveira sublinha a importância de uma gestão ativa da floresta, capaz de antecipar riscos como incêndios, secas e pragas. A diversificação de espécies, estruturas e usos do solo, bem como a criação de mosaicos na paisagem, são apontadas como estratégias essenciais para aumentar a resiliência.
A redução do risco de incêndio passa pela diminuição da continuidade da vegetação e pela substituição de áreas mais inflamáveis por soluções mais resilientes, como folhosas autóctones ou sistemas agroflorestais. Medidas como o fogo controlado, a silvopastorícia e a gestão preventiva em torno de habitações e infraestruturas são igualmente destacadas.
A adaptação climática implica também a aposta em povoamentos mistos e irregulares, substituindo plantações monoespecíficas mais vulneráveis. A regeneração natural e a escolha de espécies adaptadas contribuem para reforçar a estabilidade e a produtividade futura das florestas.
O artigo destaca ainda a importância de criar paisagens diversificadas e ecologicamente conectadas, apoiadas por instrumentos como pagamentos por serviços de ecossistema, certificação ou incentivos fiscais.
Entre as prioridades identificadas para o país estão o reforço da gestão ativa, a promoção de paisagens mais resistentes ao fogo, a expansão de sistemas mistos e agroflorestais e a integração de critérios ambientais nas decisões florestais.
A valorização do mundo rural surge igualmente como um elemento central, destacando o papel das comunidades locais na gestão do território. Sem pessoas no território, refere, não será possível garantir paisagens resilientes nem uma gestão sustentável a longo prazo.
O texto refere ainda o exemplo do projeto CCforBio, desenvolvido no CESAM/DAO da Universidade de Aveiro, em parceria com o ICNF e o Centro PINUS, que aposta numa abordagem participativa na criação de corredores de conservação em áreas florestais e na avaliação dos impactos ecológicos, económicos e sociais das intervenções.
No dia 12 de abril assinalou-se o Dia Nacional do Ar. Mais do que uma data simbólica, é um convite a olhar para um tema que atravessa praticamente todos os setores da sociedade e, por isso mesmo, uma das maiores oportunidades de ação integrada que temos.
Estima-se que a poluição atmosférica esteja associada a milhares de mortes prematuras por ano, cerca de 6 mil, segundo a Agência Europeia do Ambiente, sobretudo devido às partículas finas (PM2,5). Este não é um problema distante ou abstrato; é um problema com expressão concreta no mundo, e o nosso país não é exceção.Mas estes números não são apenas um alerta, são também um ponto de partida para políticas públicas mais eficazes e articuladas.
A saúde é o exemplo mais imediato. Sabemos hoje que melhorar a qualidade do ar reduz doenças respiratórias e cardiovasculares e a evidência mais recente aponta também para benefícios na saúde mental. Isto significa que políticas de qualidade do ar são, na prática, políticas de saúde preventiva. Investir na redução da poluição não é um custo: é uma forma direta de aliviar sistemas de saúde e melhorar qualidade de vida. Mas o potencial de ação vai muito além da saúde.
Na gestão dos ecossistemas, reduzir a deposição de poluentes, em particular compostos de azoto, permite recuperar solos, proteger a biodiversidade e aumentar a resiliência de sistemas naturais. Aqui, as soluções passam por práticas agrícolas mais eficientes, melhor gestão de emissões e integração entre políticas ambientais e agrícolas.
Nas cidades, a margem de intervenção é clara e imediata. Em áreas urbanas como Lisboa e Porto, onde o tráfego rodoviário continua a ser uma das principais fontes de poluição, soluções como a eletrificação dos transportes, a promoção de mobilidade ativa e a reorganização do espaço urbano têm impacto direto na exposição das populações. O desenho das cidades pode ser parte do problema, mas já sabemos que pode ser, sobretudo, parte da solução.
É também aqui que a ligação às alterações climáticas se transforma numa vantagem estratégica. Em muitos casos, as mesmas medidas que reduzem poluentes atmosféricos também reduzem as emissões de dióxido de carbono. Transportes mais limpos, eficiência energética, transição para fontes renováveis, tudo isto melhora simultaneamente a qualidade do ar e contribui para a neutralidade carbónica. Em vez de agendas paralelas, há uma oportunidade clara de alinhar políticas e maximizar benefícios.
Esta transversalidade não é um obstáculo, é uma vantagem. Permite soluções com impactos múltiplos, ganhos acumulados e maior eficiência na ação pública.
O trabalho científico desenvolvido por grupos como o GEMAC – Grupo de Emissões, Modelação e Alterações Climáticas, da Universidade de Aveiro (DAO – Departamento de Ambiente e Ordenamento, CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar), mostra precisamente isso. A diversidade de projetos em curso, com a modelação da qualidade do ar como ferramenta base, evidencia que não se pode estudar nem resolver este problema de forma fragmentada, e que já existe conhecimento sólido para apoiar decisões integradas. O desafio não é a falta de informação; é transformar esse conhecimento em ação consistente.
Celebrar o Dia Nacional do Ar deve, por isso, ser mais do que reconhecer um problema. Deve ser assumir uma direção. A qualidade do ar não é apenas um indicador ambiental, é um indicador de como planeamos cidades, produzimos energia, organizamos transportes e protegemos a saúde. E, talvez mais importante, é uma das áreas onde já sabemos o que fazer.
Falta fazer com escala. Porque, ao contrário de muitos outros desafios, neste caso as soluções existem e beneficiam todos ao mesmo tempo.
O GEMAC, em colaboração com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, preparou um quiz (QuizAR) onde pode testar os seus conhecimentos sobre a qualidade do ar. Preparado para o desafio? Aceda ao quiz aqui!
No mais recente episódio do Science Cast, Seila María Díaz Costas, investigadora do CESAM/DBIO, partilhou o seu percurso científico e deu a conhecer o trabalho que tem vindo a desenvolver na área da biologia marinha, com especial enfoque nos cancros transmissíveis em bivalves. Ao longo da conversa, destacou a singularidade destas doenças, que, ao contrário da maioria dos cancros, podem ser transmitidas entre indivíduos, constituindo um fenómeno raro e ainda pouco compreendido pela ciência.
Durante o episódio, a investigadora explicou de que forma estuda estes processos, recorrendo a ferramentas de genética e biologia molecular para identificar alterações celulares e compreender os mecanismos que permitem a propagação das células cancerígenas entre organismos. Sublinhou ainda o impacto que estas doenças podem ter nos ecossistemas marinhos, afetando populações de espécies com elevada importância ecológica e económica, como os bivalves explorados na pesca e na aquacultura.
Seila Díaz abordou também a relevância mais ampla da sua investigação, referindo que o estudo destes cancros transmissíveis pode contribuir para avanços na área da oncologia, ao revelar novos mecanismos de desenvolvimento e disseminação do cancro. Esta ligação entre a investigação marinha e a saúde humana evidencia o carácter interdisciplinar da ciência e o potencial do conhecimento produzido nos oceanos para responder a desafios globais.
Para além da investigação, a cientista destacou a importância da comunicação científica e da aproximação ao público, reforçando que tornar temas complexos mais acessíveis é fundamental para promover uma sociedade mais informada e consciente do papel da ciência. Iniciativas como este podcast assumem, assim, um papel relevante na divulgação do conhecimento científico, permitindo dar visibilidade ao trabalho desenvolvido nos centros de investigação.
A conversa terminou com uma reflexão sobre a importância de continuar a investir na investigação científica e na proteção dos ecossistemas marinhos. O episódio evidenciou como o estudo dos oceanos vai muito além da biodiversidade, contribuindo também para avanços científicos com impacto direto na sociedade e na compreensão de fenómenos complexos como o cancro.
Joana Fernandes e Inês Castro, estudantes de doutoramento do CESAM/DBIO da Universidade de Aveiro, integram a estrutura do OYSTER – Orienting Young ScienTists of EuroMarine – para 2026. Joana Fernandes mantém funções como co-chair do grupo, enquanto Inês Castro integra pela primeira vez a equipa, passando a colaborar no Engagement Team.
O OYSTER é o grupo de trabalho permanente da rede EuroMarine dedicado ao apoio a investigadores em início de carreira na área das ciências marinhas, promovendo a sua representação, desenvolvimento profissional e participação em iniciativas científicas e de networking .
No final de 2025, o processo de seleção para novos membros recebeu 21 candidaturas, das quais 20 foram consideradas elegíveis, representando 12 instituições da rede EuroMarine distribuídas por cinco países europeus. Deste conjunto, foram selecionados 12 novos membros para integrar o OYSTER em 2026.
A composição do grupo mantém-se com 25 membros, provenientes de 15 instituições e 10 países, organizados em seis equipas de trabalho: coordenação, secretariado, comunicação, mentoria, envolvimento e aquisição de financiamento. Esta última equipa foi criada em 2026 como unidade de apoio, com o objetivo de reforçar a captação de financiamento, promover colaborações institucionais e aumentar a visibilidade das atividades do grupo.
Adicionalmente, foram identificados três candidatos suplentes, que poderão integrar o OYSTER caso se verifiquem desistências ou falta de participação ao longo do ano.
Para 2026, o OYSTER implementa também uma nova estrutura organizacional, assente na definição de líderes de equipa responsáveis pela articulação com a coordenação e pela comunicação interna. Esta reorganização pretende melhorar a eficiência e a fluidez na colaboração entre equipas.
A participação de Joana Fernandes e Inês Castro reforça a presença do CESAM nesta iniciativa europeia, contribuindo para a dinamização de redes internacionais e para o envolvimento ativo em ações dirigidas a investigadores em início de carreira nas ciências marinhas.
O projeto CCforBio – Corredores ecológicos em plantações florestais: benefícios para a biodiversidade, produção de madeira e sequestro de carbono, do CESAM, coordenado pela investigadora Bruna Oliveira, do CESAM/DAO, foi distinguido com o Prémio de Inovação na 5.ª edição do Prémio Floresta É Sustentabilidade, promovido pela Biond, numa cerimónia de entrega em Monsanto.
Desenvolvido nas Matas Litorais, o CCforBio instalou um corredor ecológico ao longo de uma linha de água numa área ardida em 2017, anteriormente invadida por acácias e rodeada por plantações de pinheiro-bravo, através do controlo de espécies invasoras e da plantação de espécies nativas. Para além de restaurar a biodiversidade, com especial foco no coelho-bravo, o projeto integra testes de remediação de solo, balanços de carbono para quantificar o sequestro associado ao corredor e uma análise custo-benefício que demonstra o contributo destes corredores para tornar as paisagens florestais mais resilientes.
Assente no envolvimento de agentes florestais e comunidades locais em todas as fases do processo de decisão, o projeto contribui para reforçar a valorização ecológica, social e económica do restauro ecológico.
Assinala-se hoje, 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde, uma data que convida à reflexão sobre os grandes desafios que ameaçam o bem-estar das populações e sobre a importância de respostas integradas e sustentáveis. Neste contexto, o CESAM destaca-se pela sua missão alicerçada no conceito de Uma Só Saúde (One Health), que reconhece a profunda interligação entre pessoas, animais, plantas e o ambiente em que coexistem.
A degradação dos ecossistemas, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a poluição, a disseminação de agentes patogénicos e o aumento da resistência aos antimicrobianos demonstram que os problemas de saúde não podem ser analisados isoladamente. A qualidade do ar, da água e dos solos, a emergência de zoonoses, o uso excessivo de antibióticos e a contaminação dos ecossistemas são alguns dos desafios que exigem uma abordagem interdisciplinar.
Neste âmbito, o CESAM desenvolve investigação que integra diferentes áreas do conhecimento para compreender melhor as interações entre o ambiente e os sistemas vivos, contribuindo paraa definição de políticas públicas e estratégias de mitigação.
Os diferentes clusters de investigação do CESAM contribuem para esta abordagem. O trabalho desenvolvido em monitorização ambiental, saúde e avaliação de riscos permite estudar os efeitosda poluição, dos contaminantes emergentes e dos microrganismos na saúde humana e ambiental. A investigação em gestão e conservação de ecossistemas centra-se na preservação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas, enquanto o trabalho em funções do solo, agricultura e florestas aprofunda a relação entre os solos, a produção alimentar, a qualidade ambiental e a saúde. A esta dimensão juntam-se ainda os contributos de outros clusters, nomeadamente nas áreas dos ecossistemas marinhos e de transição, da modelação oceânica e atmosférica e da economia circular, reforçando a visão integrada que caracteriza a abordagem Uma Só Saúde.
Entre os vários temas estudados no CESAM, destaca-se a investigação sobre a contaminação por mercúrio em pescado e os seus potenciais riscos para a saúde humana, incluindo potenciais efeitos reprodutivos, evidenciando a importância de compreender a transferência de contaminantes ao longo da cadeia alimentar. Merecem igualmente destaque os estudos sobre osmicroplásticos e a sua presença em diferentes ecossistemas, bem como a investigação sobre o aparecimento e a disseminação de bactérias multirresistentes, que representam um dos maiores desafios atuais para a saúde pública.
Outro exemplo relevante é o estudo da qualidade do ar urbano e dos seus impactos na saúde humana, integrando fatores como partículas atmosféricas, poluentes químicos, microrganismos e vegetação urbana. Estes estudos ajudam a identificar medidas que promovam cidades mais saudáveis, resilientes e sustentáveis, apoiando políticas públicas de saúde e de ordenamento do território.
Destaca-se ainda a monitorização da qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos, incluindo a deteção de contaminantes emergentes, microplásticos e agentes patogénicos. Esta investigação é essencial para garantir a segurança dos recursos hídricos, proteger a biodiversidade e reduzir riscos para a saúde.
Ao assinalar o Dia Mundial da Saúde, o CESAM reforça o seu compromisso com uma ciência que liga ambiente, biodiversidade e saúde, contribuindo para antecipar riscos, desenvolver soluções inovadoras e promover sociedades mais sustentáveis. Num mundo marcado por desafios globais cada vez mais complexos, a abordagem Uma Só Saúde é essencial para promover um equilíbrio mais sustentável entre as pessoas, os restantes seres vivos e o ambiente.
Especialistas internacionais e equipa de investigação analisam resultados alcançados, oportunidades futuras e o legado a longo prazo do projeto ERA Chair.
O projeto BESIDE ERA Chair realizou a sua 3.ª reunião do Steering Committee, no dia 18 de março de 2026, na Universidade de Aveiro, reunindo membros do Advisory Board e toda a equipa de investigação BESIDE, incluindo a Coordenadora Científica, Ana Lillebø, investigadora do CESAM/DBIO, e a ERA Chair Holder, Helena Vieira, investigadora do CESAM/DAO, para avaliar o progresso alcançado e definir a contribuição estratégica do projeto para a liderança científica da Universidade nos próximos anos.
A reunião, realizada na Sala do Senado da Reitoria e no ECOMARE, constituiu um momento-chave para refletir sobre os resultados alcançados pelo BESIDE e, sobretudo, para discutir o seu impacto institucional a longo prazo. Os participantes centraram-se na forma como o projeto está a reforçar a excelência da investigação, a visibilidade internacional e a integração interdisciplinar no CESAM e em toda a Universidade.
Os membros do Advisory Board do BESIDE participaram nas discussões tanto presencialmente como à distância, interagindo com investigadores, estudantes de doutoramento e com a liderança do projeto, num contexto de partilha alargada e reflexão estratégica.
Ao longo da reunião, foi destacado o significativo progresso científico e organizacional do projeto, incluindo o aumento da produção científica, a captação de financiamento competitivo e a consolidação de uma equipa de investigação dinâmica e internacionalmente conectada. O Advisory Board salientou que estes resultados posicionam o BESIDE como um catalisador para o reforço da capacidade do CESAM e para a afirmação da liderança da Universidade de Aveiro na resposta a desafios complexos de sustentabilidade.
Um dos principais focos da discussão foi a sustentabilidade e o legado da iniciativa ERA Chair. Os participantes exploraram formas de garantir que as abordagens, as redes e a agenda científica do BESIDE continuem a influenciar as prioridades institucionais para além da duração do projeto, contribuindo para a atração de talento, a inovação científica e um maior envolvimento com a sociedade.
Ao promover a integração das ciências naturais e socioeconómicas e ao incentivar estratégias de investigação orientadas para o futuro, o BESIDE assume um papel cada vez mais relevante no apoio à ambição da Universidade de Aveiro de consolidar a sua posição como referência internacional na investigação e inovação em sustentabilidade.