Censo de animais errantes com participação do CESAM publicado na Urban Ecosystems

As estimativas do Censo Nacional de Animais Errantes foram publicadas na revista Urban Ecosystems (Springer Nature), após revisão por pares. O estudo, desenvolvido no âmbito do CESAM e do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (UA), confirma a existência de cerca de 830 mil gatos e 101 mil cães errantes nas áreas urbanizadas de Portugal continental. Nenhum outro país publicou uma estimativa à escala nacional para cães e gatos baseada na observação direta dos animais.

O artigo conta com a participação de vários membros do CESAM, nomeadamente João Carvalho e Eduardo Ferreira, investigadores do CESAM/DBIO; Rita Tinoco Torres, investigadora do CESAM e professora do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro; Paloma Linck, estudante de doutoramento; e Victor Bandeira, membro do CESAM. São também autores do estudo Filipa Peste, Danielle Crawshaw e Alexandre Azevedo.

Portugal produziu uma estimativa nacional da população de cães e gatos errantes no ano de 2023, baseada na observação direta dos animais, com equipas a percorrer a pé mais de 1000 quilómetros de ruas nas áreas humanizadas do território continental. Esta semana, o estudo que detalha essa estimativa foi publicado na revista científica internacional Urban Ecosystems, após revisão por pares. “Mais importante do que o prestígio da revista é aquilo que o estudo acrescenta: recolheu dados através da observação sistemática direta dos animais, numa escala nacional e com um esforço de amostragem sem precedentes em Portugal”, afirmou Alexandre Azevedo, investigador do projeto.

Quando se procura, na literatura científica, estudos que combinem escala nacional, observação direta dos animais e revisão por pares, encontram-se poucos exemplos. Existem contributos importantes, mas diferem do Censo português nos métodos utilizados, nas definições das populações estudadas e, sobretudo, na combinação de observação direta sistemática, abrangência territorial e inclusão simultânea de cães e gatos.

Pela primeira vez, em Portugal não será necessário discutir o problema dos animais errantes com base em perceções. Doravante, existe uma ferramenta construída por investigadores portugueses, financiada por fundos nacionais e agora publicada, após revisão por pares, numa revista científica internacional. Temos acesso à informação sobre onde os animais se encontram, sobre os fatores que influenciam a sua presença e sobre atitudes e comportamentos sociais, tema abordado num segundo estudo desenvolvido no âmbito do Censo.

É precisamente este tipo de informação que permite orientar políticas públicas e aplicar recursos onde são mais necessários. Portugal investiu na produção de dados e na mais completa estimativa publicada na literatura científica para dimensionar este problema à escala nacional. O país tem agora informação científica robusta para compreender a dimensão do problema dos animais errantes no seu território. O próximo passo será usá-la.

Notícia original em: UA Online, 4 de setembro de 2026

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