CESAM alerta para riscos ambientais associados à erosão costeira em Ovar

No dia 12 de abril de 2026, o Primeiro Jornal da SIC emitiu uma reportagem sobre os riscos ambientais associados a um antigo aterro sanitário localizado em São Pedro de Maceda, no concelho de Ovar. A proximidade deste aterro à zona costeira, aliada à progressiva erosão do litoral, levanta preocupações quanto à sua degradação e ao eventual risco de contaminação do meio marinho.

A reportagem contou com os contributos de Amadeu Soares, Diretor do CESAM, e de Paulo Baganha, investigador do CESAM/DGEO, que destacaram os potenciais impactos ambientais decorrentes da exposição dos resíduos depositados, sublinhando a necessidade de monitorização e de medidas preventivas face ao avanço do mar.

A reportagem evidencia o impacto das tempestades registradas entre outubro e fevereiro, que aceleraram o recuo da linha de costa, atingindo cerca de 20 metros, valor acima da média da última década. Esta evolução resulta da reduzida capacidade de reposição sedimentar após eventos extremos, o que aumenta a vulnerabilidade do litoral.

O antigo aterro de Maceda, que funcionou entre 1973 e 1999 como depósito de resíduos urbanos e industriais, encontra-se atualmente a cerca de 550 metros da linha de costa. Apesar de selado, persistem incertezas quanto à composição dos resíduos e aos seus potenciais impactos, sobretudo num cenário de progressiva aproximação do mar.

Ao longo da reportagem, Amadeu Soares destacou que a situação poderá constituir um problema significativo a médio e longo prazo, caso se mantenha a tendência de erosão. O diretor do CESAM sublinhou a importância de considerar horizontes temporais alargados na avaliação destes fenómenos, alertando para possíveis implicações ambientais e de saúde pública associadas à eventual exposição dos resíduos.

Por sua vez, Paulo Baganha reforçou a necessidade de implementar medidas de mitigação baseadas na dinâmica costeira, nomeadamente através de intervenções de alimentação artificial das praias e da monitorização contínua da sua evolução.
A eventual exposição do aterro poderá ter impactos nos ecossistemas marinhos e na qualidade ambiental da zona costeira, afetando espécies como peixes, moluscos e cefalópodes, bem como o uso balnear das praias. Neste contexto, as intervenções dos investigadores do CESAM evidenciam a importância de integrar conhecimento científico na gestão do litoral e na definição de estratégias de adaptação às alterações costeiras.

Reportagem completa aqui.

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