CESAM impulsiona nova visão de aquacultura para África, no Atlantic Aquaculture Forum

O CESAM participou no Atlantic Aquaculture Forum, organizado pelo AIR Centre e realizado nos dias 12 e 13 de novembro de 2025, no TERINOV, na Ilha Terceira, Açores. O encontro reuniu decisores, cientistas e representantes da indústria para discutir caminhos de crescimento sustentável para a aquicultura no Atlântico. 

Rui Rocha, investigador do CESAM e professor do Departamento de Biologia, Vice-Presidente do  S2Aqua CoLAB, foi um dos oradores principais convidados da conferência, apresentando a palestra “Community‑Based Aquaculture: Utopia or a Sustainable Development Pathway?”, onde defendeu que muitas iniciativas comunitárias falham por razões estruturais, nomeadamente por se centrarem na utilização de fundos e não em mercados, pela ausência de responsabilização em modelos de propriedade coletiva, por incentivos desalinhados e por ações de formação sem continuidade.

Como alternativa aos modelos comunitários tradicionais, o investigador propôs financiamento directo e apoio técnico aos produtores já estabelecidos no terreno, investimento em fábricas de ração, cadeias de frio, processamento e comercialização, em vez de se limitar à construção de tanques, e a profissionalização da formação, dotando a área de técnicos de aquacultura com experiência prática, substituindo workshops pontuais por capacitação consistente. Defendeu ainda o desenvolvimento de modelos privados orientados por dados técnicos e económicos, com decisões baseadas em métricas objectivas e não na dependência de subsídios, bem como a garantia de acesso ao mercado antes de se recorrer a apoios financeiros. A sua mensagem central sublinhou que a aquacultura sustentável depende de empreendedores sólidos, técnicos qualificados, cadeias de valor funcionais, mercados fiáveis e da rejeição de projectos assentes em lógicas de dependência.

Rui Rocha moderou ainda o painel “Building Foundations for Sustainable Aquaculture Models”, que contou com a participação de Maria de Lourdes Sardinha (Benguela Current Convention), Delvis Fortes (AU‑IBAR – União Africana, Gabinete Interafricano para os Recursos Animais), Samba Ká (Agência Nacional de Aquicultura do Senegal) e António Onde (Ministério das Pescas, Angola). O debate centrou-se em temas de governação, coerência política e bases industriais para a expansão da produção aquícola nos países africanos de expressão portuguesa. 

A intervenção destacou também o trabalho aplicado do CESAM nestes países, nomeadamente em projetos de desenvolvimento de dietas para tilápia com subprodutos agrícolas não destinados ao consumo humano e no cultivo in situ de ostra, ambos em Cabo Delgado (Moçambique), bem como em projetos de aquacultura comunitária de mexilhão, em Benguela (Angola).

Esta participação reforça o papel do CESAM no setor empresarial da aquacultura, refletido em diversos projetos em copromoção com empresas do setor, na coordenação do projeto estruturante ProAqua+ (Desenvolvimento de materiais multifuncionais para biofiltros em aquacultura: estabelecendo novos padrões de qualidade e sustentabilidade), financiado pelo CENTRO2030 – Programa Regional do Centro 2021‑2027, bem como na concretização da Cátedra CESAM/Riasearch.

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