A conferência internacional “Ocean and Human Health”, realizada em Lisboa nos dias 11 e 12 de dezembro, contou com a participação de Luís Menezes Pinheiro, Susana Loureiro e Adelaide Almeida, investigadores do CESAM, destacando a ligação indissociável entre a saúde dos oceanos e a saúde humana e promovendo o debate sobre desafios globais como as alterações climáticas, a poluição marinha, a perda de biodiversidade e os seus impactos no bem-estar físico e mental das populações.
Luís Menezes Pinheiro, investigador do CESAM e professor do Departamento de Geociências, é atualmente o coordenador do Comité Nacional para a Década do Oceano e organizador desta conferência, que reuniu investigadores, decisores políticos e representantes da sociedade civil nacionais e internacionais, provenientes de todos os continentes.
Na sessão de abertura, a Secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, sublinhou a longa tradição portuguesa de excelência na investigação marinha e o papel central de centros de investigação como o CESAM, o CIIMAR e o CIMA, que têm contribuído de forma decisiva para a interface entre a ciência do mar e a saúde humana. Foram destacados exemplos concretos de inovação, incluindo programas da Blue One Health e o desenvolvimento de novos compostos farmacêuticos de origem marinha, evidenciando o potencial do oceano como fonte de soluções terapêuticas e de promoção do bem-estar.
No seu discurso, Helena Canhão reforçou o compromisso do Governo português em fortalecer o sistema científico nacional, anunciando a revisão em curso da Lei da Ciência e Inovação, com o objetivo de reduzir a fragmentação do ecossistema científico e promover uma maior articulação entre investigação, inovação e políticas públicas. Este novo enquadramento incluirá a criação de uma Agência para a Investigação e Inovação, com missões estratégicas definidas em diálogo aberto com a comunidade científica, através de um contrato-programa plurianual que assegure a previsibilidade do financiamento e a proteção da investigação orientada pela curiosidade científica.
A governante apelou ainda à participação ativa da comunidade de investigação marinha e da área da saúde humana na definição das prioridades estratégicas e na alocação de financiamento, salientando que decisões informadas exigem contributos científicos sólidos. Reforçou igualmente que o investimento público em ciência e inovação será consolidado, reconhecendo o papel central da investigação na proteção dos oceanos, no desenvolvimento sustentável e na saúde das populações.
A conferência debruçou-se sobre os desafios da Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030), em particular os relacionados com a poluição marinha e com a reconstrução da relação da sociedade com o oceano, bem como com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3 e 14. O evento afirmou-se como um espaço estratégico de diálogo interdisciplinar e internacional, reforçando o papel de Portugal, e de instituições como o CESAM, na produção de conhecimento científico orientado para soluções integradas na interface oceano–saúde.
No âmbito do programa científico, Susana Loureiro, investigadora do CESAM e professora no Departamento de Biologia, apresentou o trabalho desenvolvido ao longo de uma década de colaboração entre o CESAM e o iBiMED, centrado na contaminação por mercúrio, no consumo de peixe e na saúde reprodutiva. Adelaide Almeida, igualmente investigadora do CESAM e professora no Departamento de Biologia, apresentou o trabalho sobre novas abordagens para combater agentes patogénicos presentes nos oceanos.
No encerramento da conferência “Ocean and Human Health”, Luís Menezes Pinheiro sublinhou o carácter coletivo, colaborativo e fortemente internacional do evento, destacando a ampla rede de cooperação entre parceiros científicos, institucionais e políticos. Foram reunidos os Comités Nacionais da Década do Oceano de vários países, bem como instituições internacionais de referência, reforçando a dimensão global da iniciativa.
Na sua intervenção final, Luís Menezes Pinheiro destacou ainda que a conferência foi deliberadamente concebida como mais do que um encontro científico tradicional, assumindo-se como um espaço verdadeiramente interdisciplinar e inclusivo, onde a ciência dialogou com a medicina, as ciências sociais, os decisores políticos, organizações não governamentais e entidades que trabalham com grupos vulneráveis, incluindo pessoas com problemas de saúde mental e com deficiência. Sublinhou o valor de dois dias intensos de debate e partilha, marcados pela diversidade de perspetivas e pela elevada qualidade das contribuições, reforçando a importância de continuar a construir pontes entre ciência, sociedade e políticas públicas.
Sobre a participação do CESAM na conferência “Ocean and Human Health”, o Diretor do CESAM, Amadeu Soares, sublinha: «Ciência, sociedade e políticas públicas, investigação enquadrada no conceito de Uma Só Saúde, são traves mestras da nossa atividade».