Mais de 600 cientistas e organizações científicas assinaram uma declaração de apoio à atualização das normas de poluição da água na União Europeia, agora publicada na página da European Freshwater Science Society (EFFS). A criação do documento, coordenada pelo European Environmental Bureau, alerta para o impacto crescente da poluição química nos ecossistemas aquáticos e na saúde humana, e apela à Comissão Europeia, ao Parlamento Europeu e aos Estados-Membros para que defendam os objetivos ambientais da Diretiva-Quadro da Água (WFD), em particular o princípio da não deterioração.
O CESAM, representado pelo seu Diretor Amadeu Soares, juntou-se a mais de 600 cientistas e organizações científicas na assinatura da declaração que sublinha que os ecossistemas de água doce estão entre os mais ameaçados do planeta, com uma redução de 85% nas populações de espécies desde 1970, e que menos de metade das massas de água europeias encontra-se atualmente em bom estado ecológico.
“Reafirmamos o compromisso com a ciência e com políticas que assegurem a qualidade da água e a preservação da biodiversidade, reconhecendo os impactos diretos da poluição na saúde humana no quadro do princípio de Uma Só Saúde”, afirmou Amadeu Soares, Diretor do CESAM.
A declaração surge num momento crucial: no próximo dia 23 de setembro, representantes das instituições europeias reúnem-se para tentar alcançar um acordo sobre a proposta da Comissão Europeia, apresentada há quase três anos, que visa atualizar as listas de poluentes a monitorizar. Estas incluem mais pesticidas, alguns PFAS e, pela primeira vez, fármacos, bem como a introdução de técnicas modernas de monitorização.
Apesar dos avanços, cientistas e cidadãos manifestam preocupação de que alguns Estados-Membros procurem enfraquecer a legislação, permitindo impactos negativos de curto prazo e adiando prazos de aplicação, o que colocaria em risco a eficácia da atualização. O receio é que se abram exceções ao princípio da não deterioração, permitindo a degradação da qualidade da água em situações como a deslocação de sedimentos ou de massas de água.
Segundo os signatários, adiar medidas terá custos ambientais, sociais e económicos muito superiores aos necessários para reforçar a monitorização e aplicar novas técnicas de controlo. O investimento na prevenção é considerado “negligenciável” face aos custos crescentes da perda de biodiversidade, da contaminação da água potável, da exposição humana a poluentes e das ações de remediação.