Dia Internacional do Ar Limpo: ciência do CESAM apoia novas respostas para a qualidade do ar

Assinalado anualmente a 7 de setembro, o Dia Internacional do Ar Limpo para um Céu Azul chama a atenção para a importância da qualidade do ar para a saúde humana, os ecossistemas e o clima, bem como para a necessidade de uma ação concertada à escala local, nacional e internacional.

Em 2026, a campanha destaca os benefícios económicos, sociais e ambientais da ação integrada sobre a qualidade do ar e o clima. Esta edição é marcada pela divulgação do relatório Hidden assets: The economic and health case for climate and clean air action, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente e pela Climate and Clean Air Coalition. O relatório analisa os custos e benefícios de 25 medidas integradas e identifica reformas de política pública e mecanismos de financiamento capazes de acelerar a sua implementação.

Muitas fontes de poluição atmosférica, incluindo a combustão de combustíveis fósseis e de biomassa, contribuem também para as emissões de gases com efeito de estufa. Atuar conjuntamente sobre estes dois problemas permite, por isso, proteger a saúde, reduzir os riscos climáticos e produzir benefícios económicos e sociais.

Ciência para apoiar decisões sobre a qualidade do ar

No CESAM, a investigação sobre qualidade do ar combina modelação atmosférica, monitorização ambiental, avaliação da exposição e dos efeitos na saúde e estudo das interações entre poluição e alterações climáticas. Esta capacidade articula principalmente as linhas temáticas Alterações Climáticas, Adaptação e Mitigação (TL1) e Gestão Ambiental, Poluição e Modelação (TL2), bem como os clusters RC3 – Modelação Oceânica e Atmosférica e RC5 – Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscosr.

Entre os projetos atualmente em curso destaca-se o AIRTIP – Responder aos desafios da futura regulação da qualidade do ar em Portugal. Desenvolvido entre 2025 e 2028, o projeto procura antecipar as novas exigências da Diretiva Europeia da Qualidade do Ar através de uma abordagem que combina modelação climática e da qualidade do ar, avaliação dos efeitos na saúde, monitorização no terreno e envolvimento de cidadãos e decisores. Entre os seus objetivos estão avaliar o cumprimento dos novos valores-limite, identificar áreas que exigirão monitorização reforçada e produzir recomendações para a gestão da qualidade do ar em Portugal.

Também desenvolvido entre 2025 e 2028, o projeto HEART – Efeitos da qualidade do ar na saúde da população urbana residente em Portugal usando registos individuais estuda a relação entre a exposição prolongada à poluição atmosférica e a saúde da população urbana. O projeto combina monitorização e modelação da qualidade do ar com dados clínicos individuais, dedicando particular atenção a poluentes ainda não regulamentados, como as partículas ultrafinas e o carbono negro.

Do conhecimento à ação

A ligação entre ciência, políticas públicas e ação está também no centro da mesa-redonda “Ar Limpo e Céu Azul: dos desafios às ações para uma melhor qualidade do ar”, promovida hoje, às 14h30, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. A iniciativa reúne investigadores, entidades públicas e empresas para discutir as novas exigências europeias, as lacunas de conhecimento ainda existentes e as respostas necessárias nos domínios dos novos poluentes, da agricultura e da mobilidade.

Ao integrar modelação, monitorização, avaliação dos efeitos na saúde e participação dos diferentes setores da sociedade, o CESAM contribui para transformar conhecimento científico em instrumentos e recomendações úteis para melhorar a qualidade do ar e apoiar políticas públicas mais eficazes.

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