Dia Internacional do Microrganismo: o contributo do CESAM para conhecer e valorizar o mundo invisível

No dia 17 de setembro assinala-se o Dia Internacional do Microrganismo, uma iniciativa de origem portuguesa que rapidamente atingiu escala global. Este dia pretende dar a conhecer o fascinante mundo dos microrganismos, destacando o seu papel fundamental na vida e no funcionamento dos ecossistemas, bem como o seu enorme potencial para aplicações nas áreas da saúde, da biotecnologia e da sustentabilidade.

Os microrganismos, na sua maioria, invisíveis a olho nu, são a forma de vida mais abundante e mais antiga no planeta. Bactérias, fungos, microalgas e outros seres microscópicos estão presentes em praticamente todos os ambientes da Terra, onde desempenham múltiplas funções essenciais nos ecossistemas, desde a decomposição de matéria orgânica até às complexas interações que estabelecem com plantas e animais (incluindo os seres humanos). Diretamente ou indiretamente, toda a vida na Terra depende dos microrganismos. Ao mesmo tempo, os microrganismos podem ser utilizados no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias com aplicações ambientais, alimentares e na área da saúde.

Esta diversidade de funções torna os microrganismos um objeto de estudo transversal. No CESAM, a investigação nesta área acompanha precisamente essa diversidade, abrangendo diferentes ambientes, organismos e níveis de organização, desde o estudo da diversidade e do funcionamento das comunidades microbianas até às interações entre microrganismos e organismos hospedeiros, passando pelo desenvolvimento de aplicações biotecnológicas.

A investigação relacionada com microrganismos atravessa as 3 Linhas Temáticas e a maioria dos Clusters de Investigação, encontrando maior expressão nos clusters dedicados à gestão ambiental, aos ecossistemas, aos solos e à agricultura, à monitorização ambiental e saúde e à valorização sustentável de recursos (RC2, RC4, RC5 e RC6).

São muitos os projetos do CESAM que têm contribuído para melhor conhecer os microrganismos e explorar o seu potencial. Entre os projetos em curso, destacam-se o LIFT, que explora o potencial dos fungos da podridão da madeira para a reabilitação de solos degradados; o Next-Gen Larvae que, através da modulação do microbioma, procura desenvolver uma nova abordagem para melhorar a saúde e a sobrevivência de larvas de peixe em sistemas de aquacultura; o AMRAMR, que tem  como objetivo desenvolver novas abordagens para combater a resistência antimicrobiana; e o ALGAELICIOUS, que procura otimizar o perfil nutricional e as propriedades funcionais e sensoriais da microalga Chlorella, contribuindo para o desenvolvimento de novos ingredientes e protótipos alimentares.

A investigação desenvolvida no CESAM tem também ajudado a revelar a diversidade microbiana oculta, através da descrição de novos géneros e espécies de bactérias e fungos, em particular em ambientes marinhos e estuarinos.

Falar de microrganismos é falar de biodiversidade, solos, oceanos, agricultura, poluição, saúde, biotecnologia e sustentabilidade. O mundo microbiano abrange diferentes escalas e sistemas ambientais e, por isso, exige abordagens interdisciplinares capazes de compreender não apenas os organismos individualmente, mas também as complexas redes de interação em que estão integrados.

Esta visão está alinhada com a própria missão do CESAM de desenvolver investigação transdisciplinar e integradora, contribuindo para responder aos desafios das alterações climáticas, da biodiversidade, da poluição e da sustentabilidade.

Neste Dia Internacional do Microrganismo, o CESAM celebra, assim, a diversidade e a importância deste universo microscópico, bem como o contributo da investigação científica para o seu conhecimento. Do fundo do oceano aos solos agrícolas, dos ambientes contaminados aos sistemas de aquacultura, os microrganismos desempenham funções essenciais e podem contribuir para a construção de soluções mais sustentáveis para o futuro.

Conhecer o mundo invisível é também compreender melhor o planeta de que dependemos.



Notícia por Artur Alves, investigador do CESAM e professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, e, Vice-Coordenador do cluster de investigação 5 – Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscos.

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