Dia Mundial da Saúde Ambiental: compreender o ambiente para proteger a saúde

A 26 de setembro assinala-se o Dia Mundial da Saúde Ambiental, promovido pela International Federation of Environmental Health, uma data que chama a atenção para uma relação cada vez mais evidente: proteger a saúde implica também compreender e proteger o ambiente em que vivemos.

A qualidade do ar, da água e dos alimentos, a exposição a contaminantes químicos e biológicos, a presença de poluentes emergentes, as alterações climáticas e a degradação dos ecossistemas podem influenciar direta ou indiretamente a saúde humana e animal. Compreender estas interações exige, por isso, abordagens que ultrapassem as fronteiras tradicionais entre disciplinas.

No CESAM, esta perspetiva está no centro da abordagem Uma Só Saúde (One Health), que reconhece a interligação entre a saúde humana, animal e ambiental. A investigação desenvolvida no Centro procura compreender estas relações, desenvolver ferramentas de monitorização e avaliação de risco e contribuir para estratégias de prevenção e mitigação sustentadas em evidência científica.

Este trabalho encontra expressão na Linha Temática Gestão Ambiental, Poluição e Modelação (TL2), dedicada ao estudo das fontes, trajetórias e impactos da poluição e à procura de soluções para melhorar a qualidade ambiental. De forma particularmente direta, articula-se com o Cluster de Investigação Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscos (RC5), cuja investigação inclui a monitorização de contaminantes ambientais, a avaliação da exposição a substâncias tóxicas e agentes patogénicos e o estudo das relações entre poluição ambiental e saúde.

Um exemplo desta investigação é o projeto WIN-PLASTIC — World In Plastic: Impact of Plastic and Bioplastic Ingestion on the Gut and Human Health, que aborda uma questão emergente na interface entre ambiente e saúde. Perante a presença de micro e nanoplásticos e dos seus aditivos na cadeia alimentar, o projeto compara o perfil de segurança de polímeros convencionais e bioplásticos, analisando a formação de partículas e a migração de contaminantes químicos e avaliando os seus potenciais impactos na saúde humana.

Também o projeto europeu ETERNAL — Boosting the reduction of the environmental impact of pharmaceutical products throughout their entire life cycle aborda a ligação entre ambiente, saúde e sustentabilidade. Financiado pelo programa Horizonte Europa, o projeto procurou contribuir para reduzir o impacto ambiental dos produtos farmacêuticos através de uma abordagem que considera todo o seu ciclo de vida, desde a conceção e o fabrico até à utilização e eliminação. O trabalho incluiu a avaliação dos riscos ambientais associados não apenas aos ingredientes farmacêuticos ativos, resíduos e metabolitos, mas também a outras substâncias químicas e subprodutos dos processos de produção.

Estes projetos ilustram como a saúde ambiental depende da capacidade de identificar riscos emergentes, compreender as vias de exposição e desenvolver soluções que permitam prevenir ou reduzir impactos nos ecossistemas e nas populações.

Ao assinalar o Dia Mundial da Saúde Ambiental, o CESAM reforça a importância de compreender as interligações entre ambiente e saúde e de produzir conhecimento científico que contribua para ecossistemas mais saudáveis e comunidades mais resilientes.

Link Link 2