Assinala-se hoje, 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde, uma data que convida à reflexão sobre os grandes desafios que ameaçam o bem-estar das populações e sobre a importância de respostas integradas e sustentáveis. Neste contexto, o CESAM destaca-se pela sua missão alicerçada no conceito de Uma Só Saúde (One Health), que reconhece a profunda interligação entre pessoas, animais, plantas e o ambiente em que coexistem.
A degradação dos ecossistemas, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a poluição, a disseminação de agentes patogénicos e o aumento da resistência aos antimicrobianos demonstram que os problemas de saúde não podem ser analisados isoladamente. A qualidade do ar, da água e dos solos, a emergência de zoonoses, o uso excessivo de antibióticos e a contaminação dos ecossistemas são alguns dos desafios que exigem uma abordagem interdisciplinar.
Neste âmbito, o CESAM desenvolve investigação que integra diferentes áreas do conhecimento para compreender melhor as interações entre o ambiente e os sistemas vivos, contribuindo paraa definição de políticas públicas e estratégias de mitigação.
Os diferentes clusters de investigação do CESAM contribuem para esta abordagem. O trabalho desenvolvido em monitorização ambiental, saúde e avaliação de riscos permite estudar os efeitosda poluição, dos contaminantes emergentes e dos microrganismos na saúde humana e ambiental. A investigação em gestão e conservação de ecossistemas centra-se na preservação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas, enquanto o trabalho em funções do solo, agricultura e florestas aprofunda a relação entre os solos, a produção alimentar, a qualidade ambiental e a saúde. A esta dimensão juntam-se ainda os contributos de outros clusters, nomeadamente nas áreas dos ecossistemas marinhos e de transição, da modelação oceânica e atmosférica e da economia circular, reforçando a visão integrada que caracteriza a abordagem Uma Só Saúde.
Entre os vários temas estudados no CESAM, destaca-se a investigação sobre a contaminação por mercúrio em pescado e os seus potenciais riscos para a saúde humana, incluindo potenciais efeitos reprodutivos, evidenciando a importância de compreender a transferência de contaminantes ao longo da cadeia alimentar. Merecem igualmente destaque os estudos sobre osmicroplásticos e a sua presença em diferentes ecossistemas, bem como a investigação sobre o aparecimento e a disseminação de bactérias multirresistentes, que representam um dos maiores desafios atuais para a saúde pública.
Outro exemplo relevante é o estudo da qualidade do ar urbano e dos seus impactos na saúde humana, integrando fatores como partículas atmosféricas, poluentes químicos, microrganismos e vegetação urbana. Estes estudos ajudam a identificar medidas que promovam cidades mais saudáveis, resilientes e sustentáveis, apoiando políticas públicas de saúde e de ordenamento do território.
Destaca-se ainda a monitorização da qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos, incluindo a deteção de contaminantes emergentes, microplásticos e agentes patogénicos. Esta investigação é essencial para garantir a segurança dos recursos hídricos, proteger a biodiversidade e reduzir riscos para a saúde.
Ao assinalar o Dia Mundial da Saúde, o CESAM reforça o seu compromisso com uma ciência que liga ambiente, biodiversidade e saúde, contribuindo para antecipar riscos, desenvolver soluções inovadoras e promover sociedades mais sustentáveis. Num mundo marcado por desafios globais cada vez mais complexos, a abordagem Uma Só Saúde é essencial para promover um equilíbrio mais sustentável entre as pessoas, os restantes seres vivos e o ambiente.
Notícia por Amadeu Soares, Diretor do CESAM, e Artur Alves, investigador do CESAM/DBIO e professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (Vice-Coordenador do Cluster de Investigação 5 – Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscos)