O Dia Mundial da Vida Selvagem, celebrado a 3 de março, recorda-nos que a biodiversidade não é apenas um património natural que admiramos nos nossos passeios ou nos documentários que marcam a nossa infância. A vida selvagem sustenta o funcionamento e a resiliência dos ecossistemas, estando na base da provisão de inúmeros serviços de ecossistema, como a produção alimentar, a polinização e a purificação da água, entre muitos outros, fundamentais para a sobrevivência e o bem-estar da humanidade.
As atividades humanas têm vindo a moldar profundamente os ecossistemas naturais, onde o aumento da urbanização, a intensificação agrícola, a fragmentação de habitats, as alterações climáticas e a poluição contribuem para mudanças globais na distribuição e densidade dos animais selvagens, muitas vezes com consequências severas para a biodiversidade e os ecossistemas.
Neste contexto, torna-se essencial encontrar um equilíbrio delicado que permita a coexistência entre as sociedades humanas e a vida selvagem. À medida que o Homem transforma as paisagens, o contacto entre populações humanas, animais domésticos e espécies selvagens aumenta. Esta proximidade gera novos desafios, desde conflitos entre pessoas e a vida selvagem até à ocorrência de riscos sanitários, evidenciando a interligação entre as dimensões ecológicas, sociais e económicas.
Vivemos um período de perda acelerada da biodiversidade, marcado por declínios populacionais generalizados e por uma crise global de conservação sem precedentes. Ainda assim, algumas espécies têm demonstrado uma notável capacidade de adaptação a ambientes fortemente modificados, revelando plasticidade ecológica e comportamental. Compreender estas respostas é fundamental para desenvolver estratégias de conservação e gestão adequadas a diferentes contextos ecológicos e geográficos.
A investigação realizada no CESAM, focada na compreensão destas dinâmicas, permite apoiar políticas públicas e estratégias de gestão que promovam uma coexistência sustentável entre sociedades humanas e a vida selvagem. São exemplos, entre outros, o projeto Soil@INT – Solos do Interior: Monitorizar para Mitigar o Efeito das Alterações Climáticas, que contribui para compreender o papel dos solos e dos ecossistemas terrestres na adaptação às alterações climáticas e na manutenção dos serviços de ecossistema; o LIFE LUPI-LYNX, que trabalha na criação de condições socioecológicas favoráveis à expansão do lobo-ibérico e do lince-ibérico, promovendo a conservação destas espécies emblemáticas e a mitigação de conflitos com atividades humanas; e, por último, o BioSolar – Quintas Solares: Uma oportunidade para a recuperação da biodiversidade em terrenos agrícolas, que explora soluções inovadoras que conciliam a produção de energia solar com a recuperação e promoção da biodiversidade em paisagens agrícolas. Em conjunto, estes projetos ilustram o compromisso do CESAM com abordagens integradas que articulam conservação da natureza, desenvolvimento sustentável e adaptação às alterações globais.
No Dia Mundial da Vida Selvagem, reforçamos a importância da investigação científica na construção de soluções que conciliem o desenvolvimento humano com a integridade ecológica. Cuidar da vida selvagem é, também, cuidar do nosso futuro comum.
Notícia por Rita Torres, Vice-Coordenadora do Cluster de Investigação 4 & Gab. Comunicação, Promoção e Divulgação do CESAM