No Dia Mundial das Florestas Tropicais, assinalado a 22 de junho, o CESAM junta-se à reflexão global sobre a importância destes ecossistemas, essenciais para a biodiversidade, para o equilíbrio ambiental e para as comunidades que deles dependem. Através de projetos de investigação e cooperação internacional, o centro contribui para o conhecimento e conservação das florestas tropicais em diferentes regiões do mundo.
As regiões tropicais desempenham um papel central na história da humanidade. Nos trópicos encontramos o berço – africano – da humanidade, assim como os destinos das grandes migrações humanas, da Oceânia à América do Sul. Os biomas tropicais albergam uma elevada proporção da biodiversidade do planeta, sendo bem conhecido pelos ecólogos o gradiente latitudinal de biodiversidade, para o qual várias hipóteses explicativas – de Dobzhansky a MacArthur, entre outros – foram avançadas. O estudo dos biomas tropicais foi fundamental para o avanço da biologia. Por exemplo, as viagens tropicais de Charles Darwin – ele próprio influenciado pelos relatos de Alexander von Humbolt – foram determinantes para a formulação da Teoria da Seleção Natural.
Ao longo das últimas décadas, a visão idílica das florestas tropicais – em particular dos Neotrópicos – como ecossistemas prístinos, livres da ação do homem, tem dado lugar a uma melhor compreensão do papel ancestral dos humanos na modelação das paisagens tropicais. É disso exemplo o conceito de domesticação de paisagens por civilizações amazónicas (como paradigma alternativo à domesticação de espécies).
As luxuriantes florestas tropicais húmidas ou chuvosas ocupam um papel de destaque no nosso imaginário coletivo. Contudo, e não obstante o elevado grau de ameaça a que estas florestas estão sujeitas, outras florestas tropicais – como bosques, florestas secas ou estacionais decíduas – encontram-se tão ou mais ameaçadas. Por causa de longos conflitos armados e instabilidade económica e social – não alheios às dinâmicas de poder globais dos séculos anteriores – ou às alterações climática em curso, vários países e regiões da faixa tropical enfrentam grandes desafios ao desenvolvimento e elevado grau de vulnerabilidade económica, de saúde ou alimentar.
Estes desafios são particularmente prementes em territórios cujas populações dependem da exploração direta dos recursos florestais para suprir necessidades básicas diárias. O derrube de florestas tropicais para agricultura de subsistência ou para produção de carvão vegetal (principal fonte de energia para muitas populações), ou a predação de fauna silvestre como fonte de proteína animal, asseguram subsistência no curto prazo, mas comprometem a sobrevivência das florestas tropicais no médio-longo prazo, assim como das populações que delas dependem. Este é o caso das florestas de Miombo ou de Mopane da África Austral. Estas florestas suportam uma grande diversidade de fauna mas a madeira densa do miombo ou do mopane torna-os importantes fonte de energia e de material de construção, sendo a pressão sobre estas florestas crescente.
O projeto CAPMOZ, liderado pelo CESAM – em parceria com a Universidade Pedagógica de Maputo, a Universidade de Lisboa e outros parceiros ibéricos e moçambicanos – teve como objetivo contribuir para o desenvolvimento de capacidade de resposta local aos desafios do desenvolvimento sustentável em Moçambique. Este projeto permitiu o reforço da infraestrutura técnica e científica em nível regional, integrando a formação de alunos da UP Maputo com a investigação colaborativa entre os parceiros e a recolha de dados de base sobre a biodiversidade das florestas de mopane do Parque Nacional do Limpopo. Além da capacitação em métodos não invasivos de monitorização da biodiversidade, o projeto teve foco relevante na vigilância sanitária e na interação com as comunidades locais, contribuindo para uma melhor coexistência. Mais recentemente, a continuidade desta parceria tem sido assegurada através do financiamento do CESAM, que permitirá explorar a informação gerada no âmbito do projeto e dar continuidade às atividades de formação e investigação colaborativa. Este projeto é apenas uma das colaborações do CESAM no estudo das florestas tropicais, que também se estende aos Neotrópicos.

Mapa ilustrativo: https://ecoregions.appspot.com (licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)
Notícia por Eduardo Ferreira, investigador do CESAM/DBIO