O Dia Nacional do Mar, celebrado a 16 de novembro, relembra a profunda ligação de Portugal ao Oceano e a responsabilidade coletiva de o conhecer, valorizar e proteger. No CESAM esta data assinala-se através da investigação que, diariamente, transforma conhecimento científico em soluções para um Oceano mais sustentável. Com uma abordagem inter-, transdisciplinar e transformativa, o CESAM cobre todo o espectro dos sistemas marinhos e costeiros – do oceano profundo à zona costeira -, da modelação climática à conservação da biodiversidade, da segurança e erosão costeiras à bioeconomia azul, contribuindo para o avanço do conhecimento, o desenho de políticas, a inovação e a resiliência dos ecossistemas e das comunidades costeiras.
Amadeu Soares, Diretor do CESAM sublinha que: “Embora a investigação sobre o Oceano seja transversal a muitas Unidades de Investigação da UA, o CESAM – única UI da UA com estatuto de Laboratório Associado cuja missão incide no Ambiente e no Oceano – tem aqui o seu eixo principal, dimensão que importa valorizar, sob pena de perda de identidade e diluição da área do Mar dentro e para fora da própria UA. Enquanto autor da proposta que viabilizou o ECOMARE, defendo o investimento em infraestruturas icónicas. O ECOMARE é um exemplo, pois articula investigação CESAM de excelência, serviço público e identidade territorial, projetando o CESAM e a Universidade. Para que cumpram devidamente a sua missão, estes ícones devem ter governação inclusiva, aberta a todas as Unidades de Investigação, que deveriam indicar a respetiva gestão, e parceiros. Assinalo, ainda, as duas distinções internacionais atribuídas nesta semana do Mar que agora termina, no âmbito dos Atlantic Project Awards 2025 para projetos com liderança CESAM: SMARTDEC (Atlantic Ports) e WIN‑BIG (Blue Skills) . É esta cultura de colaboração e serviço, abrangendo toda a cadeia -da investigação fundamental à valorização económica e à definição de políticas públicas-, que hoje também celebramos.”
O CESAM é uma unidade de investigação de referência nacional e internacional dedicada ao estudo integrado do ambiente, da biodiversidade e do Oceano. A comemorar 25 anos de atividade em 2026, reúne equipas multidisciplinares que desenvolvem ciência fundamental e aplicada, promovendo soluções orientadas para a definição de políticas, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável. O CESAM integra seis Clusters de Investigação, que estruturam e fortalecem as principais áreas científicas do centro, potenciando investigação colaborativa, capacidade competitiva e impacto societal.
Entre estes, cinco Clusters abordam, de forma direta ou indireta, temáticas relacionadas com o Oceano e os sistemas marinhos. O cluster 1 – Mar Profundo, Oceano e Ecossistemas de Transição- foca-se totalmente nos ecossistemas marinhos e de transição; o cluster 3 – Modelação Oceânica e Atmosférica- dedica-se à modelação oceânica e atmosférica; o cluster 4 – Gestão e Conservação dos Ecossistemas- integra investigação aplicada à conservação de ecossistemas marinhos e costeiros; o cluster 5 – Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscos- contribui para a monitorização ambiental e para a avaliação de riscos em ambientes aquáticos; e o cluster 6 – Economia Circular, Otimização dos Recursos e Energia- reforça a bioeconomia azul através da valorização sustentável dos recursos marinhos. Assim, o CESAM afirma-se com forte vocação para a ciência do mar e para o desenvolvimento de soluções que promovem a sustentabilidade oceânica.
O trabalho desenvolvido no cluster 1 – Mar Profundo, Oceano e Ecossistemas de Transição- exemplifica esta missão, ao centrar-se na compreensão dos ecossistemas marinhos, do mar profundo às zonas de transição. Os investigadores mapeiam habitats vulneráveis, avaliam impactos antropogénicos, monitorizam alterações ecológicas e fornecem evidência robusta para orientar decisões de gestão. Projetos como o SHORESAFETY, que utiliza tecnologia vídeo e laser para monitorizar, em tempo quase real, a dinâmica costeira e reforçar a segurança em praias como a de Mira, e o REDRESS, que define estratégias de restauração do mar profundo e de habitats degradados pelo arrasto, demonstram como a ciência apoia políticas de conservação e metas internacionais de biodiversidade
Ana Hilário, investigadora do CESAM/DBio, e Coordenadora do cluster 1 sublinha que «Neste cluster transformamos ciência na gestão responsável do oceano: mapeamos habitats, vigiamos pressões, reparamos danos e protegemos vidas, do mar profundo às zonas de transição. Celebrar o mar é renovar um compromisso diário com a ciência, políticas corajosas e um oceano vivo para as próximas gerações.
É também determinante a contribuição do Cluster 3 – Modelação Oceânica e Atmosférica, dedicado ao desenvolvimento de modelos computacionais avançados que permitem avaliar a influência das atividades humanas no clima, na qualidade da água e do ar e na ocorrência de fenómenos extremos. O projeto InundaRia, focado na Ria de Aveiro, constitui um exemplo significativo: ao analisar a dinâmica das inundações e a eficácia de medidas de mitigação, fornece previsões essenciais para aumentar a resiliência do território face às alterações climáticas. O projeto EMERGE, ao quantificar o impacto das emissões e descargas associadas ao transporte marítimo e ao avaliar riscos ecotoxicológicos, reforça a necessidade de compreender pressões menos visíveis, mas decisivas, sobre os ecossistemas marinhos.
Alexandra Monteiro, investigadora CESAM/DAO e Coordenadora do cluster 3 refere: «O Dia Nacional do Mar relembra a importância vital dos oceanos para o equilíbrio do planeta e para o bem-estar das populações. No contexto deste cluster sobre Modelação Oceânica e Atmosférica, este dia destaca a necessidade de compreender e proteger os sistemas marinhos face a um mundo em mudança. Celebrar o mar é também reconhecer o papel da ciência na construção de um futuro mais sustentável, resiliente.»
Por sua vez, o Cluster 6 –Economia Circular, Otimização dos Recursos e Energia-, destaca a bioeconomia e a economia circular como eixos estruturantes de uma gestão mais eficiente e responsável dos recursos do Oceano. Através do desenvolvimento de bioprocessos inovadores e de rotas de valorização sustentável, o cluster responde à necessidade de transformar resíduos em recursos e de reduzir a dependência de matérias-primas convencionais. Projetos como o BIOPLASTAR, que desenvolve soluções biológicas para a reciclagem de plásticos marinhos, e o Omics4Algae, que potencia a conversão de macroalgas em produtos de elevado valor acrescentado, ilustram a contribuição efetiva deste cluster para uma economia azul mais eficiente, regenerativa e alinhada com as prioridades europeias e nacionais.
Helena Vieira, Investigadora do CESAM/DAO e Vice-Coordenadora do cluster 6, refere: «O Dia Nacional do Mar recorda que o oceano é muito mais do que um espaço geográfico: é fonte de vida, de recursos e de conhecimento essencial para uma transição sustentável. No contexto das temáticas deste cluster, este dia sublinha a urgência de promover a bioeconomia azul, a economia circular e a valorização inteligente dos recursos marinhos, reduzindo pressões humanas e transformando resíduos em oportunidades. Celebrar o mar é, assim, reafirmar o compromisso científico de desenvolver soluções que regenerem ecossistemas, fortaleçam comunidades costeiras e marítimas e impulsionem uma inovação responsável, garantindo que o oceano continue a ser um motor de resiliência ambiental e de progresso socioeconómico para todos.»
A leitura conjunta destes contributos evidencia o papel central do CESAM na compreensão do Oceano e na construção de soluções que respondem a desafios ambientais, societais e económicos. No Dia Nacional do Mar, a mensagem é clara: celebrar o mar é renovar um compromisso com o conhecimento, com a proteção dos ecossistemas e com um futuro sustentável que garanta que o Oceano continue a ser um património vivo para as próximas gerações. «O Dia Nacional do Mar relembra a importância vital dos oceanos para o equilíbrio do planeta e para o bem-estar das populações. Ao investigarmos sobre o Oceano estamos a produzir conhecimento para conhecer e também gerir melhor a maior parte do nosso território, pois Portugal é essencialmente mar, é Oceano», conclui Amadeu Soares.