Gestão da paisagem em Portugal exige resposta integrada para enfrentar desafios climáticos

A gestão da paisagem em Portugal deve assumir um papel central na resposta às alterações climáticas, através de uma abordagem integrada que articule floresta, prevenção de incêndios e valorização das comunidades rurais. A perspetiva é apresentada por Bruna Oliveira, investigadora do CESAM/DAO, num artigo de opinião publicado na revista Indústria e Ambiente.

A autora destaca que a gestão florestal deve assumir uma função climática clara, contribuindo para a redução de emissões e o aumento do sequestro de carbono, ao mesmo tempo que diminui o risco de incêndio e reforça a biodiversidade. Este equilíbrio é apontado como essencial para garantir os serviços de ecossistema que sustentam economias rurais viáveis.

No artigo, é destacado o papel multifuncional das florestas portuguesas, que asseguram não só a produção de madeira, cortiça ou biomassa, mas também funções de regulação, suporte e valor cultural. Neste contexto, a gestão sustentável deve equilibrar objetivos económicos, sociais e ambientais, valorizando também serviços muitas vezes menos visíveis.

Perante o agravamento das alterações climáticas, Bruna Oliveira sublinha a importância de uma gestão ativa da floresta, capaz de antecipar riscos como incêndios, secas e pragas. A diversificação de espécies, estruturas e usos do solo, bem como a criação de mosaicos na paisagem, são apontadas como estratégias essenciais para aumentar a resiliência.

A redução do risco de incêndio passa pela diminuição da continuidade da vegetação e pela substituição de áreas mais inflamáveis por soluções mais resilientes, como folhosas autóctones ou sistemas agroflorestais. Medidas como o fogo controlado, a silvopastorícia e a gestão preventiva em torno de habitações e infraestruturas são igualmente destacadas.

A adaptação climática implica também a aposta em povoamentos mistos e irregulares, substituindo plantações monoespecíficas mais vulneráveis. A regeneração natural e a escolha de espécies adaptadas contribuem para reforçar a estabilidade e a produtividade futura das florestas.

O artigo destaca ainda a importância de criar paisagens diversificadas e ecologicamente conectadas, apoiadas por instrumentos como pagamentos por serviços de ecossistema, certificação ou incentivos fiscais.

Entre as prioridades identificadas para o país estão o reforço da gestão ativa, a promoção de paisagens mais resistentes ao fogo, a expansão de sistemas mistos e agroflorestais e a integração de critérios ambientais nas decisões florestais.

A valorização do mundo rural surge igualmente como um elemento central, destacando o papel das comunidades locais na gestão do território. Sem pessoas no território, refere, não será possível garantir paisagens resilientes nem uma gestão sustentável a longo prazo.

O texto refere ainda o exemplo do projeto CCforBio, desenvolvido no CESAM/DAO da Universidade de Aveiro, em parceria com o ICNF e o Centro PINUS, que aposta numa abordagem participativa na criação de corredores de conservação em áreas florestais e na avaliação dos impactos ecológicos, económicos e sociais das intervenções.

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