Investigação do CESAM destaca impacto das capturas acidentais na mortalidade de golfinhos em Portugal

O artigo publicado no jornal Público, a 28 de abril de 2026, evidencia a magnitude das capturas acidentais em águas portuguesas, apontando para a morte de, pelo menos, um golfinho por dia em resultado da interação com artes de pesca. Este fenómeno insere-se num contexto mais amplo de pressão sobre a biodiversidade marinha, afetando também aves marinhas e tartarugas, e colocando Portugal entre os países europeus com as taxas mais elevadas de capturas acessórias .

O contributo científico do CESAM é destacado através do trabalho de Catarina Eira, investigadora do CESAM e professora do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. A investigadora refere que estas estimativas resultam de dados de monitorização de arrojamentos e de análises desenvolvidas no âmbito de projetos científicos, sendo consideradas conservadoras, uma vez que uma parte significativa da mortalidade ocorre no mar e não é registada . Este enquadramento reforça a importância de abordagens integradas de monitorização e investigação para uma avaliação mais precisa do impacto real das capturas acidentais.

Do ponto de vista ecológico, as capturas acidentais constituem uma das principais ameaças à conservação de várias espécies marinhas, sobretudo aquelas com estatuto de conservação desfavorável e ciclos de vida caracterizados por baixas taxas reprodutivas. Em Portugal, determinadas artes de pesca, como redes de emalhar, tresmalhos e palangres, têm sido identificadas como particularmente críticas, sobretudo quando coincidem com áreas de alimentação ou rotas migratórias .

O artigo refere ainda que, apesar da existência de dados preocupantes, a interpretação comparativa entre países europeus deve ser feita com cautela, uma vez que Portugal apresenta sistemas de monitorização mais consistentes do que outros Estados-membros, podendo isso contribuir para uma maior visibilidade do problema. Ainda assim, a evidência científica aponta para níveis de mortalidade que justificam medidas urgentes de mitigação.

Neste contexto, foi desenvolvido o Plano de Ação para a Minimização das Capturas Acidentais de Aves, Mamíferos e Répteis Marinhos, coordenado por entidades nacionais e com contribuições de especialistas. O plano, que deverá entrar em vigor em 2026, estabelece um conjunto de medidas destinadas a reduzir a interação entre a atividade pesqueira e a fauna marinha, incluindo o reforço da monitorização, a implementação de soluções técnicas de mitigação e a promoção de práticas de pesca mais sustentáveis .

A participação de investigadores do CESAM neste domínio sublinha o papel central da investigação científica na compreensão e mitigação dos impactos das atividades humanas nos ecossistemas marinhos, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidência e para a conservação da biodiversidade.

Notícia Original em: Jornal Público, 28 de abril de 2026.

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