Investigação do CESAM reforça combate a bactérias resistentes com novas moléculas fotossensibilizadoras

A resistência antimicrobiana (AMR) é hoje uma das maiores ameaças à saúde global, podendo vir a causar 10 milhões de mortes por ano em 2050 se nada for feito. Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) vem sublinhar a urgência de novas soluções, explorando uma abordagem inovadora para combater bactérias através de alternativas terapêuticas face aos métodos tradicionais. A investigação centra-se na chamada inativação fotodinâmica, uma técnica que utiliza luz, oxigénio e moléculas específicas — designadas de fotossensibilizadores (FS) — capazes de gerar espécies citotóxicas para destruir microrganismos. Trata-se de um método não invasivo, seguro e que pode ser repetido várias vezes com eficácia.

Assinado pelos investigadores Sara Gamelas, Raquel Tavares, Inês Chaves, Amparo Faustino, Leandro Lourenço, do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE) e Adelaide Almeida, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e professora do departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, o trabalho desenvolveu duas novas moléculas (H2Por e ZnPor), pertencentes à família das porfirinas, moléculas estáveis e que têm vindo a ser exploradas pelo grupo de investigação, que mantêm o seu desempenho antimicrobiano quando expostas à luz.

Quando estas moléculas são expostas a luz branca, geram momentaneamente novas espécies químicas que são capazes de danificar e destruir bactérias. Nos testes realizados com a bactéria Escherichia coli (responsável por inúmeras infeções), os resultados foram bastante promissores: mesmo quando utilizadas em doses baixas de FS, foi possível eliminar eficazmente as bactérias presentes, atingindo-se o limite de deteção do método utilizado para quantificar a bactéria (99.999%).

Os cientistas da UA observaram ainda que a adição de um sal como o iodeto de potássio, permite aumentar significativamente a eficácia do processo. Com esta combinação, é possível reduzir o tempo necessário para erradicar esta bactéria para apenas 15 minutos, ou diminuir a quantidade de energia necessária, ou otimizar a dose das moléculas utilizadas — fatores importantes para futuras aplicações práticas.

Outro aspeto relevante, apontam os investigadores, é que esta abordagem funciona com doses baixas de luz e de compostos ativos, o que representa uma vantagem significativa para possíveis aplicações clínicas, tornando o processo mais seguro e eficiente.

De acordo com critérios utilizados pela comunidade científica internacional para a definição de agentes antibacterianos, os resultados obtidos colocam estas moléculas na classe de agentes antibacterianos promissores, com níveis de eficácia elevados na eliminação de bactérias. Além disso, a sua preparação e as suas propriedades reforçam o potencial de utilização não só na área da saúde, mas também em contextos ambientais.

Este estudo abre assim novas perspetivas no combate a infeções causadas por bactérias resistentes, apontando para soluções alternativas aos antibióticos numa altura em que a sua eficácia está cada vez mais comprometida.



Notícia original em: Ua Notícias, 1 de junho de 20226



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