Investigação do CESAM sobre erosão costeira em destaque no jornal Expresso

A recente sucessão de tempestades que atingiu a costa portuguesa, provocou episódios severos de erosão, com impactos visíveis de norte a sul do país. Entre os casos mais marcantes está a praia de Mira, onde o mar avançou cerca de sete metros em apenas cinco dias, e a zona de Forte Novo, em Quarteira, onde o recuo acumulado poderá ter atingido 20 metros nos últimos três anos.​

O trabalho de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) tem assumido particular relevância na análise e explicação destes fenómenos. Os especialistas em dinâmica costeira Paulo Baganha Batista, investigador do CESAM/DGEO, e Carlos Coelho salientam que a faixa costeira entre Espinho e a Figueira da Foz é especialmente vulnerável à erosão, devido ao défice sedimentar associado às barragens do rio Douro. De acordo com os investigadores, os recentes temporais, com ondas que atingiram 15 metros, agravaram significativamente esta fragilidade estrutural.

No caso da praia de Mira, Paulo Baganha Batista descreve um recuo “particularmente brutal” junto ao Bairro dos Pescadores, evidenciando a rapidez e intensidade do fenómeno. Os investigadores comparam a situação atual a episódios extremos registados nos invernos de 2001 e 2014. ​

Os especialistas da UA reconhecem que as alimentações artificiais de areia realizadas nos últimos anos têm contribuído para mitigar parte dos danos, uma vez que os sedimentos depositados na zona submersa podem, gradualmente, voltar a alimentar as praias. No entanto, alertam para uma tendência preocupante: a possibilidade de as praias passarem a apresentar faixas de areia cada vez mais reduzidas, face ao impacto dos temporais e ao agravamento da energia do mar.

O contributo da Universidade de Aveiro tem sido central na monitorização, interpretação e contextualização científica destes eventos, disponibilizando dados técnicos e enquadramento histórico que permitem compreender a evolução da erosão costeira e os desafios futuros para a gestão do litoral português.

Notícia Completa e Original em: Jornal Expresso, 13 de fevereiro de 2026