Investigação no CESAM identifica potenciais marcadores microbianos associados a estádios precoces do cancro colorretal

Um estudo realizado por Catarina R. Marques, investigadora do CESAM/DBIO, foi publicado na revista Frontiers in Microbiology e apresenta a primeira caracterização das alterações da microbiota intestinal ao longo da sequência adenoma–carcinoma colorretal, numa coorte portuguesa.

O microbioma intestinal tem vindo a assumir uma importância crescente na investigação do cancro colorretal, sobretudo pelo potencial de determinadas alterações microbianas poderem ser exploradas como marcadores precoces e não invasivos da doença. É neste âmbito que, desde 2014, a investigadora tem realizado investigação, procurando compreender de que forma a microbiota intestinal se altera durante o desenvolvimento e progressão de cancro colorretal.

A análise de amostras de fezes de uma coorte portuguesa que constitui, revelou alterações particularmente relevantes nas fases precoces da doença. Entre os principais resultados destaca-se o aumento da abundância de bactérias do género Sutterella e a diminuição de Parasuterella e Adlercreutzia em indivíduos com adenomas e/ou em estádios iniciais de cancro colorretal. Estes géneros bacterianos e os respetivos perfis de variação surgem, assim, como potenciais marcadores microbianos para a deteção precoce da doença, embora a sua utilização requeira validação em coortes de maior dimensão.

O estudo questiona ainda a robustez de Fusobacterium, um dos géneros bacterianos frequentemente associado ao cancro colorretal e, por tal, indicado como promissor marcador da doença. No entanto, os resultados demonstram que esta associação perde significância quando são considerados fatores como a idade, sexo e índice de massa corporal dos indivíduos, evidenciando a importância de controlar estas variáveis na identificação de marcadores microbianos robustos. A comparação com coortes internacionais confirmou também que as assinaturas microbianas não são totalmente consistentes entre diferentes populações, reforçando a necessidade de validar a robustez e capacidade discriminatória dos biomarcadores em populações e contextos geográficos distintos, antes da sua aplicação universal.

Esta investigação destaca, assim, a importância de continuar a explorar o microbioma como um elemento dinâmico e chave na relação entre o ambiente e a saúde humana. Tal abordagem enquadra-se na missão do Research Cluster 5 – Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscos, do CESAM, que fomenta investigação integrada, interdisciplinar e colaborativa, alinhada com a perspetiva de Uma Só Saude (One Health).

O trabalho publicado na revista Frontiers in Microbiology (consultar em https://doi.org/10.3389/fmicb.2026.1822941) resultou de uma colaboração entre investigadores da Universidade de Aveiro e do Helmholtz Zentrum de Munique, na Alemanha, contando ainda com a participação da Unidade Local de Saúde da Região de Aveiro (ULSRA; designada Centro Hospitalar do Baixo Vouga, E.P.E. à data de início do estudo).

Os investigadores prestam um especial agradecimento aos voluntários que consentiram participar neste estudo, assim como às equipas de profissionais dos Serviços de Cirurgia, Gastroenterologia, de Medicina do Trabalho e de Oncologia da ULSRA, assim como ao Conselho de Administração e Gabinete de Investigação e Inovação, pelo seu contributo e colaboração.

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