Investigador do CESAM mostra como o Espaço ajuda a monitorizar a erosão costeira

Paulo Baganha Baptista, investigador do CESAM/DGEO, foi um dos convidados da sessão “A minha praia vista do Espaço”, integrada na 6.ª edição do programa “O Espaço à Quarta”, uma iniciativa do ESERO Portugal dedicada a mostrar como a ciência e a tecnologia espacial estão presentes no quotidiano e podem contribuir para responder a desafios concretos da sociedade.

A sessão centrou-se nas zonas costeiras e na forma como a observação da Terra, a deteção remota e outras tecnologias de monitorização podem ajudar a compreender a evolução das praias, a erosão costeira e os riscos associados a eventos extremos. Num contexto marcado pela pressão humana sobre o litoral, pelo défice sedimentar e pelos impactos das alterações climáticas, o debate reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir como preservar melhor as praias e apoiar decisões de gestão costeira.

Na sua intervenção, Paulo Baganha Baptista destacou o contributo do projeto europeu Space for Shore, financiado pela Agência Espacial Europeia, que procurou avaliar até que ponto os dados de satélite, sobretudo os de acesso livre, podem ser usados para extrair indicadores úteis de erosão costeira. O investigador explicou que estas ferramentas permitem analisar séries temporais longas e identificar tendências de evolução da linha de costa, oferecendo uma visão mais abrangente do território e ajudando a sinalizar zonas mais vulneráveis.

Embora os dados de satélite não substituam a monitorização local de alta resolução, Paulo Baganha Baptista sublinhou o seu valor como primeira aproximação, especialmente quando se pretende observar tendências a médio e longo prazo. A partir de imagens recolhidas por diferentes missões, incluindo Landsat, SPOT e Sentinel, é possível acompanhar alterações na linha de praia, na base das dunas e das arribas, bem como obter indicadores sobre a morfologia do fundo marinho.

O investigador do CESAM explicou ainda como a batimetria pode ser estimada por satélite, tirando partido das alterações no comportamento das ondas quando estas se aproximam de zonas menos profundas. À medida que a onda interage com o fundo, altera o seu comprimento, altura e forma, permitindo inferir variações de profundidade. Segundo Paulo Baganha Baptista, este tipo de abordagem pode alcançar resultados interessantes em determinadas profundidades, embora exija sempre validação e leitura crítica.

Programa completo aqui.

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