Érika Sousa, investigadora do CESAM/DQ, foi distinguida com o Prémio Fundação Amélia de Mello pela sua investigação de doutoramento, que reconhece a excelência científica e o potencial impacto do trabalho no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o tratamento de água.
O trabalho foi desenvolvido sob a orientação dos Professores Vânia Calisto e Valdemar Esteves, do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, e da Investigadora Paula Ferreira, do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.
A investigação incidiu na valorização do bagaço de malte, um dos principais subprodutos da indústria cervejeira, transformando este resíduo em materiais avançados para a remoção de antibióticos da água. Através da produção de biochar e de carvão ativado recorrendo a processos que combinam ativação química e pirólise assistida por micro-ondas, foram obtidos materiais com elevada área superficial e excelentes propriedades adsorventes.
Os materiais desenvolvidos demonstraram elevada eficiência na remoção de contaminantes emergentes, nomeadamente os antibióticos sulfametoxazol, trimetoprim e ciprofloxacina, tendo sido avaliados tanto em soluções laboratoriais como em águas residuais reais. Os resultados revelaram um desempenho competitivo face ao carvão ativado comercial, contribuindo para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis e de menor custo para o tratamento de águas.
A investigação permitiu ainda aprofundar o conhecimento sobre o efeito da competição entre diferentes contaminantes presentes na água e identificar estratégias para aumentar a eficiência da adsorção. Neste contexto, foram desenvolvidas modificações químicas da superfície do carvão ativado, destacando-se a funcionalização com grupos oxigenados, que proporcionou um aumento significativo da capacidade de remoção dos antibióticos.
Outro dos avanços alcançados consistiu na integração de polímeros de impressão molecular (Molecularly Imprinted Polymers – MIPs) com biochar, originando materiais híbridos capazes de reconhecer e remover seletivamente sulfametoxazol, mesmo na presença de outros contaminantes. O trabalho demonstrou ainda a regeneração térmica e a reutilização destes materiais em sistemas contínuos de tratamento, reforçando o seu potencial para futuras aplicações no tratamento sustentável de águas.
Esta distinção evidencia igualmente a importância do CESAM enquanto unidade de investigação de referência na formação avançada de investigadores. O ambiente científico multidisciplinar, as infraestruturas laboratoriais de excelência e a colaboração entre diferentes equipas de investigação proporcionaram as condições necessárias para o desenvolvimento de um trabalho de elevada qualidade científica.
A atribuição do Prémio Fundação Amélia de Mello constitui um reconhecimento da excelência da investigação desenvolvida e do seu contributo para responder a desafios ambientais atuais, promovendo soluções inovadoras alinhadas com os princípios da economia circular e da sustentabilidade.