Olga Ameixa e Heliana Teixeira, investigadoras do CESAM/DBIO, são coautoras da Declaração de Creta, publicada na revista científica de acesso aberto Research Ideas and Outcomes (RIO) sob o título “The Crete Declaration: Uniting Science for One Health”.
O documento sublinha que os desafios globais atuais — como epidemias, segurança alimentar, perda de biodiversidade e poluição — estão profundamente interligados, exigindo respostas integradas e coordenadas.
As investigadoras integram também a infraestrutura europeia LifeWatch ERIC, onde coordenam o grupo de trabalho de Mapeamento dos Serviços dos Ecossistemas, contribuindo para o desenvolvimento de abordagens científicas que apoiam a avaliação e a gestão sustentável dos ecossistemas.
O diretor do CESAM, Amadeu Soares, é subscritor da declaração e destaca a sua relevância: “Esta declaração pode, com naturalidade, ser subscrita pela grande maioria dos membros do CESAM, pois está em consonância com a nossa missão, assente na abordagem ‘Uma Só Saúde’, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental e orienta a investigação transdisciplinar e transformadora do CESAM para a sustentabilidade dos ecossistemas e o bem-estar da sociedade.”
Este documento estratégico mobiliza redes de investigação europeias de larga escala, incluindo o LifeWatch ERIC, para promover a colaboração interdisciplinar e a ciência aberta ao serviço de soluções sustentáveis e integradas. A ciência aberta é entendida como um instrumento essencial para a partilha de conhecimento entre a comunidade científica, a sociedade e as empresas, ampliando assim o impacto social e económico da ciência. Para além do acesso aberto a dados e publicações, a declaração valoriza a abertura do processo científico como um todo, reforçando o conceito de responsabilidade social da ciência.
A Declaração de Creta define como prioridade a promoção de investigação multidisciplinar e interdomínios para responder a desafios urgentes no âmbito One Health. Propõe unir infraestruturas científicas para fornecer evidências robustas às políticas públicas, incentivar a inovação aberta através de recursos partilhados e adotar novas metodologias, incluindo o uso responsável da inteligência artificial.
Os signatários comprometem-se a reforçar a colaboração estratégica, assegurar a integração e o acesso equitativo a dados de acordo com os princípios FAIR, envolver os setores público, privado e a sociedade civil em plataformas inclusivas, e contribuir para a formulação de políticas públicas informadas pela ciência, promovendo ainda a participação dos cidadãos.
O documento foi consolidado numa assembleia internacional realizada na ilha de Creta, a 30 de junho de 2025, durante a conferência LifeWatch ERIC Biodiversity and Ecosystem e-Science (BEeS), organizada pelo Hellenic Centre for Marine Research (HCMR). O evento reuniu investigadores, instituições e plataformas científicas europeias, e contou com o envolvimento ativo do LifeWatch ERIC, infraestrutura dedicada ao estudo da biodiversidade e dos ecossistemas, que tem contribuído para identificar necessidades de dados e serviços digitais e fomentar a colaboração entre diferentes áreas científicas alinhadas com a abordagem One Health.
A Declaração de Creta encontra-se aberta à subscrição de investigadores, instituições, entidades governamentais, organizações privadas e cidadãos comprometidos com uma ciência colaborativa orientada para a sustentabilidade e o bem-estar global.
O LifeWatch European Research Infrastructure Consortium (ERIC) é uma infraestrutura europeia de investigação que disponibiliza serviços digitais, ferramentas analíticas e laboratórios virtuais para o estudo da biodiversidade e do funcionamento dos ecossistemas. Operando de forma distribuída em vários países europeus, o LifeWatch ERIC apoia a ciência aberta, a integração e a reutilização de dados e o desenvolvimento de soluções baseadas em evidências para políticas públicas, princípios centrais da Declaração de Creta. Em Portugal, o LifeWatch ERIC é representado pelo nó nacional LifeWatch Portugal, coordenado pela infraestrutura PORBIOTA, que integra centros de investigação em biodiversidade, universidades, museus de história natural e entidades públicas. Entre os seus membros contam‑se, entre outros, o CIBIO‑InBIO/BIOPOLIS, o cE3c, o LEAF e o CEF (ISA/ULisboa), o CESAM/UA, o MARE, museus universitários de história natural, o ICNF, o nó português do GBIF e a Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO).
Notícia Original em: Notícias UA, 21 de janeiro de 2026