A investigadora do CESAM e docente do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, Ana Sousa, integrou o grupo de especialistas convidado a elaborar as European Seagrass Recommendations 2026, o primeiro documento de consenso científico à escala europeia dedicado à proteção, monitorização e restauro das pradarias marinhas.
O documento foi publicado a 1 de junho de 2026 pela “European Seagrass Restoration Alliance” (ESRA) e resulta de um processo colaborativo que envolveu investigadores de 17 países europeus. A redação das recomendações decorreu na sequência do segundo “European Seagrass Restoration Workshop”, que decorreu em abril de 2025 em Arcachon (França) e de outro workshop realizado em fevereiro de 2026, em Schiermonnikoog, nos Países Baixos, onde participaram 26 especialistas de 12 países, incluindo Ana Sousa. Este documento contou posteriormente com a revisão de outros investigadores de toda a Europa, incluindo Pedro Coelho, também do CESAM.
As pradarias marinhas constituem um dos ecossistemas mais produtivos do planeta, desempenhando um papel fundamental na proteção das zonas costeiras contra a erosão e as inundações, na melhoria da qualidade da água, no sequestro e armazenamento de carbono e no suporte à biodiversidade e às pescas. Apesar da sua relevância ecológica e socioeconómica, estes habitats têm sofrido um declínio acentuado nas últimas décadas devido à degradação da qualidade da água, ao desenvolvimento costeiro, às espécies invasoras e a diversas pressões humanas.
As recomendações agora publicadas estabelecem oito prioridades estratégicas para orientar decisores políticos, gestores e financiadores na recuperação destes ecossistemas. Entre elas destacam-se a proteção das pradarias existentes, a redução das pressões ambientais antes de qualquer intervenção de restauro, a identificação de áreas prioritárias para recuperação, a monitorização de longo prazo, o desenvolvimento de metodologias baseadas em evidência científica, o reforço da capacitação técnica, a criação de mecanismos de financiamento adequados e o desenvolvimento de cadeias sustentáveis de fornecimento de material biológico para restauro.
Segundo Ana Sousa, “o restauro das pradarias marinhas representa uma excelente oportunidade para recuperar a natureza, reforçar a resiliência climática e beneficiar as comunidades costeiras. Hoje dispomos do conhecimento científico, da responsabilidade e do contexto político necessários para transformar a recuperação ecológica numa história de sucesso duradoura. Estas recomendações permitem-nos ir além da prevenção de novas perdas, promovendo a recuperação das funções ecológicas, dos benefícios climáticos e da resiliência natural proporcionados por estes ecossistemas”.
O documento surge num momento particularmente relevante para a implementação do Regulamento Europeu para a Restauração da Natureza, contribuindo com orientações científicas que poderão apoiar a definição de políticas e ações concretas em toda a Europa. As recomendações estão igualmente alinhadas com a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas (2021–2030) e com o Quadro Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal.
A participação dos investigadores do CESAM neste processo reforça o contributo do CESAM e da Universidade de Aveiro para a produção de conhecimento científico com impacto nas políticas ambientais europeias e na conservação dos ecossistemas marinhos.
Mais informações:European Seagrass Recommendations 2026 ( link e documento aqui )
Sobre a ESRA
A “European Seagrass Restoration Alliance”- Aliança Europeia para o Restauro de Ervas Marinhas (ESRA) é uma plataforma colaborativa que estabelece a ligação entre a investigação científica e a prática de restauro em larga escala. A ESRA proporciona um espaço para que a comunidade europeia dedicada ao restauro de ervas marinhas colabore e participe na troca de conhecimentos e experiências.