Investigadores do CESAM/DBio contribuíram para reforçar a resiliência dos solos agrícolas na Região Centro

Etelvina Figueira, investigadora do CESAM e docente do Departamento de Biologia, na qualidade de investigadora responsável, Adelaide Almeida, investigadora do CESAM e professora do Departamento de Biologia, Adília Pires e Paulo Cardoso, investigadores do CESAM/DBio, participaram no projeto SoloC+ — Desenvolvimento de soluções para aumentar a resiliência dos solos agrícolas às alterações climáticas na Região Centro, uma iniciativa liderada pelo Instituto Politécnico de Coimbra que reuniu um consórcio multidisciplinar para responder aos desafios crescentes do setor agrícola.

Num contexto marcado pelo aumento da temperatura, pelas alterações nos padrões de precipitação e pela escassez e aumento do custo dos fertilizantes sintéticos, o projeto SoloC+ teve como objetivo garantir a fertilidade dos solos agrícolas através da adoção de práticas sustentáveis e de soluções baseadas na economia circular, promovendo sistemas agrícolas mais resilientes às alterações climáticas.

Iniciado em fevereiro de 2022 e concluído em 2025, o projeto partiu da identificação de cinco problemas estruturais comuns a muitos sistemas agrícolas em Portugal: o baixo teor de matéria orgânica dos solos, a perda de fertilidade e a maior lixiviação de nutrientes; o excesso de fósforo pouco disponível para as plantas, com contributo para a eutrofização; o uso intensivo de pesticidas, com impactos negativos nos ecossistemas; a ineficiência de técnicas tradicionais de rega, como a rega por sulcos; e a dificuldade em manter a fertilidade das pastagens.

Com base neste diagnóstico, o SoloC+ implementou um conjunto de soluções inovadoras, incluindo a aplicação de biochar e compostos orgânicos, a introdução de leguminosas, o uso de bactérias solubilizadoras de fósforo e a criação de Living Labs em explorações agrícolas, onde foram testadas e demonstradas boas práticas em condições reais.

Inserido nas linhas de ação do Programa de Adaptação às Alterações Climáticas e apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, através da agenda Terra Futura – Agenda de investigação e inovação para a sustentabilidade da agricultura, alimentação e agroindústria [Agenda de Inovação para a Agricultura 20|30], o projeto contou com um financiamento superior a 650 mil euros.

A equipa envolvida pela UA integrou, além dos investigadores do CESAM/DBio, Carla Patinha, do GEOBIOTEC, e vários estudantes do Rhizolab. Em conjunto com os restantes parceiros do projeto, foram realizados um ensaio em estufa e quatro ensaios de campo, entre 2022 e 2025.

Os ensaios permitiram selecionar estirpes e consórcios bacterianos solubilizadores de fósforo, tendo sido registados aumentos de produtividade do milho até 20%. Com uma forte componente de investigação aplicada, o projeto demonstrou o potencial dos bioinoculantes bacterianos como estratégia para reforçar a fertilidade dos solos, otimizar o uso da água e reduzir impactos ambientais.

O projeto SoloC+ evidenciou, assim, o contributo da investigação científica para o desenvolvimento de soluções sustentáveis no setor agrícola, promovendo a adaptação às alterações climáticas, a eficiência dos sistemas produtivos e a valorização da sustentabilidade agrícola.

Notícia Original em: Notícias UA, 22 de dezembro de 2025