Investigadores do CESAM/DFis identificam concentração de microplásticos na ria de Vigo em Samil e Canido

A estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Vigo é a principal fonte de partículas de microplásticos na ria», indica um artigo publicado na Marine Pollution Bulletin por investigadores do CESAM/DFis (Portugal), em colaboração com a equipa EphysLab do Centro de Investigação Marinha da Universidade de Vigo. O estudo, disponível na plataforma ScienceDirect, procura determinar qual é a percentagem destes contaminantes que permanece na ria e quantos se dispersam no mar aberto. Para tal, os investigadores efetuaram diferentes simulações com o objetivo de compreender como o vento e as marés afetam as concentrações de microplásticos na ria de Vigo.

A investigação conclui que as zonas de Canido e Samil são as mais expostas a estes contaminantes, uma vez que o ETAR Lagares atua como a principal via de entrada de microplásticos na ria. Estas partículas, com menos de cinco milímetros e impercetíveis a olho nu, degradam o ambiente e acumulam-se nos organismos de seres vivos, incluindo os humanos. De facto, vários estudos científicos alertam que podem provocar efeitos graves à saúde. Os investigadores indicaram ainda que, durante o trabalho, «foram instantaneamente libertadas meio milhão de partículas à superfície» a partir da ETAR de Lagares.

Normalmente, as águas tratadas pela ETAR de Vigo são descarregadas junto ao leito marinho por meio de um emissário submarino, mas, no caso dos microplásticos, o comportamento é diferente, pois não permanecem no fundo: «ascendem rapidamente através da coluna de água e atingem a superfície em poucos minutos (entre 4 e 9 minutos)», explicam.

O estudo destaca também que a força do vento «exerce uma influência dominante sobre o destino e a dinâmica dos microplásticos flutuantes na Ria de Vigo». Assim, ventos intensos, combinados com episódios de afloramento e marés mortas, favorecem que a maior parte dos microplásticos se desloque para a plataforma continental (mar aberto). Pelo contrário, durante as marés vivas, os contaminantes tendem a concentrar-se nas zonas costeiras, especialmente em Samil e Canido. Nestas condições, os investigadores concluem que podem ficar retidas na zona até 40 % das partículas emitidas.

Os investigadores concluem que estes resultados demonstram «a importância de considerar a variabilidade atmosférica na definição de estratégias de gestão eficazes para a região». Do mesmo modo, sublinham que o seu trabalho evidencia «a necessidade de integrar estes processos nas práticas de gestão de águas residuais para melhorar a monitorização e mitigar a poluição por microplásticos das estações de tratamento».

Notícia e Fotografia original em: La Voz de Galicia, 26 de março de 2026