Microplásticos comprometem a reprodução de pequenos organismos aquáticos

Os microplásticos, uma das formas mais persistentes de poluição ambiental da atualidade, podem afetar a capacidade reprodutiva de organismos essenciais para os ecossistemas de água doce.

Assinado por Bruno Nunes (na foto), investigador do CESAM/DBIO, João Pinto da Costa, investigador do CESAM/DQ, David Daniel e Madalena Vieira, estudantes de doutoramento do CESAM/DBIO, e Ana Violeta Girão, do CICECO, o estudo revela que ambos os tipos de microplásticos reduziram significativamente parâmetros reprodutivos de D. magna, nomeadamente o número de descendentes produzidos. Esta diminuição poderá ter implicações relevantes para as populações destes organismos e, consequentemente, para as cadeias alimentares de que fazem parte.

A conclusão resulta de um estudo da Universidade de Aveiro (UA) que analisou o impacto de partículas de plástico amplamente utilizadas no quotidiano sobre a espécie Daphnia magna, um pequeno crustáceo vulgarmente conhecido como pulga-de-água e que desempenha um papel fundamental nas cadeias alimentares aquáticas.

A poluição por plásticos tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Quando chegam aos rios, lagos e oceanos, estes materiais degradam-se progressivamente, dando origem a partículas microscópicas conhecidas como microplásticos. Devido às suas reduzidas dimensões, estas partículas podem ser ingeridas por diversos organismos aquáticos, com potenciais consequências para a sua saúde e para o equilíbrio dos ecossistemas.

No estudo, os investigadores avaliaram os efeitos de dois tipos de microplásticos de uso comum: o tereftalato de polietileno (PET), utilizado, por exemplo, em garrafas de bebidas, e o polipropileno (PP), presente em inúmeras embalagens e objetos do dia a dia.

Além dos efeitos na reprodução, os investigadores observaram alterações temporárias em mecanismos biológicos associados à resposta ao stress e à eliminação de substâncias potencialmente tóxicas. Contudo, essas alterações foram mais evidentes em exposições de curta duração e tenderam a desaparecer em organismos sujeitos a exposições prolongadas.

Segundo os autores, este padrão sugere que os animais podem desenvolver mecanismos de adaptação à presença continuada de microplásticos. Ainda assim, essa adaptação não parece evitar os impactos negativos observados na reprodução.

O estudo reforça a preocupação crescente com a presença de microplásticos nos ecossistemas aquáticos e destaca a necessidade de reduzir a libertação destes contaminantes para o ambiente, de forma a proteger a biodiversidade e o funcionamento dos sistemas naturais.

Notícia Original em, UA Online, 21 setembro 2026

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