Paulo Baganha, investigador CESAM/DAO, participa na iniciativa “Vozes que Protegem” sobre erosão costeira

Paulo Baganha, investigador do CESAM/DAO, participou na iniciativa “Vozes que Protegem”, integrada no projeto Estudo Autónomo, uma série de entrevistas que dá voz a especialistas que trabalham para promover comunidades mais seguras e resilientes.

Especialista em monitorização e análise morfodinâmica costeira, Paulo Baganha desenvolve investigação nas áreas da deteção remota, de sistemas de vídeo-monitorização e de avaliação da vulnerabilidade e dos riscos em zonas costeiras. No âmbito da sua participação nesta iniciativa, abordou os principais fatores que explicam a erosão costeira em Portugal, as regiões mais afetadas, as consequências para as populações e as infraestruturas, bem como as opções de gestão disponíveis.

Durante a entrevista, o investigador começou por clarificar o conceito de erosão costeira, definindo-o como um desequilíbrio no sistema litoral provocado pela incapacidade de retenção de sedimentos, quer nas dunas, quer nas praias emersas e submersas. Entre as principais causas, destacaram-se fatores naturais e antrópicos, sublinhando o impacto da construção de barragens ao longo do século XX, que reduziu significativamente o fornecimento de sedimentos aos sistemas costeiros.

No contexto nacional, identificou os setores mais afetados pela erosão, referindo, entre outros, o litoral a norte do Douro (nomeadamente o setor de Ofir), a faixa entre Cortegaça e Furadouro, o troço Costa Nova–Praia de Mira, a Costa de Lavos e Leirosa, a Costa da Caparica e zonas da Ria Formosa, com taxas médias de recuo que, em alguns casos, podem atingir vários metros por ano. Explicou ainda que os litorais arenosos baixos, particularmente expostos à ação direta da agitação marítima, tendem a apresentar maior vulnerabilidade.

Relativamente às consequências, salientou que a erosão costeira pode traduzir-se em galgamentos, inundações e destruição de infraestruturas, sobretudo em frentes urbanas expostas. Neste enquadramento, distinguiu três conceitos fundamentais: suscetibilidade (predisposição natural do sistema), vulnerabilidade (grau de perda potencial associado aos elementos presentes no território), risco (quando há pessoas ou bens expostos).

Paulo Baganha destacou igualmente o papel das alterações climáticas, nomeadamente a subida do nível médio do mar, que tem vindo a acelerar os processos erosivos e a intensificar os impactos associados aos temporais. Segundo referiu, mesmo aumentos aparentemente moderados do nível médio do mar podem amplificar significativamente os efeitos da agitação marítima nas zonas costeiras.

3No que respeita às soluções, apontou três grandes abordagens: não intervir e aceitar a evolução natural do litoral; planear a retirada ou a relocalização de infraestruturas; ou proteger as áreas urbanas por meio de estruturas de defesa e de alimentação artificial das praias. Sublinhou que, após a Tempestade Hércules (2014), a política de gestão costeira em Portugal tem vindo a privilegiar intervenções de alimentação artificial nos setores mais críticos.

Por fim, destacou a importância da literacia costeira, defendendo que a educação e o envolvimento dos jovens são determinantes para uma gestão futura mais sustentável do território litoral

O vídeo completo da entrevista pode ser consultado aqui.
Recursos pedagógicos associados e respetivas atividades didáticas, aqui.