Paulo Baganha, investigador do CESAM/DGEO, participa em webinário sobre alterações climáticas e riscos costeiros

Paulo Baganha, investigador do CESAM/DGEO e investigador auxiliar da Universidade de Aveiro, foi o orador convidado no webinário “Alterações Climáticas e Riscos Costeiros”, integrado no projeto Em Defesa do Oceano, uma iniciativa dinamizada pelo Estudo Autónomo e pela Escola Azul, dirigida à sensibilização da comunidade escolar e do público em geral para os desafios atuais do litoral.

Durante a sua intervenção, o investigador abordou a evolução do clima e do nível médio do mar ao longo dos tempos geológicos, contextualizando as alterações climáticas atuais à luz dos grandes ciclos naturais da Terra, como os ciclos de Milankovitch, a variabilidade da atividade solar e os processos tectónicos globais. A partir desta perspetiva de longo prazo, Paulo Baganha destacou a importância de compreender as alterações recentes, fortemente influenciadas pela ação humana, nomeadamente pelo aumento significativo da concentração de dióxido de carbono na atmosfera desde a era pré-industrial.

O webinário deu especial enfoque às consequências da subida do nível do mar nos sistemas costeiros, em particular nos litorais arenosos e de baixa altitude, que são os mais vulneráveis à erosão, galgamentos oceânicos e inundações costeiras. Com base em dados observacionais, como a série histórica do marégrafo de Cascais, o investigador evidenciou a tendência acelerada de subida do nível do mar nas últimas décadas e explicou de que forma este fenómeno contribui para o recuo da linha de costa, podendo atingir várias dezenas de metros ao longo de um século.

No contexto do litoral português, Paulo Baganha apresentou exemplos concretos de zonas particularmente afetadas pela erosão costeira, como os setores entre Cortegaça, Furadouro, Costa Nova, sul da Figueira da Foz e Costa da Caparica. Sublinhou ainda que, para além da subida do nível do mar, o défice sedimentar — fortemente associado à regularização dos rios por barragens e à alteração das dinâmicas fluviais — é atualmente um dos principais fatores responsáveis pelo agravamento da erosão costeira em Portugal.

A sessão incluiu também uma reflexão sobre estratégias de gestão e adaptação ao risco costeiro, desde a aceitação da evolução natural da linha de costa em áreas sem ocupação humana, até medidas de prevenção, acomodação e proteção, como o recuo planeado de infraestruturas, a adaptação das construções às dinâmicas costeiras e a implementação de obras de engenharia ou alimentações artificiais de praia.

O webinário terminou com um momento de perguntas e respostas, onde foram debatidos temas como o papel das decisões tomadas longe da costa na erosão litoral, a construção em zonas costeiras, o combate ao negacionismo climático e a importância do oceano enquanto “fonte da vida”, expressão escolhida pelo investigador para definir o seu significado pessoal do oceano.

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Crédito de imagem: 90 segundos de ciência