A consciencialização humana sobre os desafios que a sociedade moderna coloca ao ambiente tem vindo a aumentar. O reconhecimento do papel essencial dos ecossistemas costeiros no fornecimento de bens e serviços vitais para a sobrevivência e bem-estar humanos levou a uma crescente preocupação com os impactos da pressão antropogénica. O uso e abuso generalizado de drogas psicoativas constitui um problema ambiental relevante, pois a sua libertação contínua para os meios aquáticos representa uma ameaça para o ambiente costeiro e, em última instância, para os seres humanos que dele dependem. Apesar da sua prevalência, o impacto de drogas psicoativas, como alucinogénios e opioides, nos sistemas marinhos permanece pouco compreendido e nunca foi estudado em cenários ecologicamente relevantes, como a poluição luminosa, uma ameaça generalizada aos ecossistemas costeiros urbanos. A monitorização dos níveis ambientais destas substâncias é essencial, mas é igualmente importante avaliar se esses níveis causam impactos significativos no ambiente e na saúde humana. A interação entre drogas psicoativas e Luz Artificial Noturna pode agravar os desafios enfrentados pelos sistemas marinhos, uma vez que esta poluição luminosa pode interferir com os ritmos circadianos que regulam processos fisiológicos, afetando a ecologia dos organismos marinhos e interações entre espécies como a predação e competição. Este aspeto é particularmente relevante no contexto de exposição a drogas psicoativas uma vez que estas substâncias também interferem com processos biológicos. Assim, espera-se que estas substâncias interajam com a Luz Artificial Noturna, gerando consequências ecológicas, especialmente em zonas costeiras urbanas onde ambos os stressores estão bem presentes. O projeto CHILL visa colmatar estas lacunas, avaliando a ocorrência e a distribuição de drogas psicoativas e os seus efeitos eco(toxico)lógicos, especialmente tendo em conta cenários ambientalmente relevantes de poluição luminosa.
