O projeto FlowSOC pretende avaliar como os contaminantes circulam atualmente nas cadeias alimentares do Oceano Antártico e como este fluxo poderá alterar-se no futuro devido às mudanças climáticas. Embora a Antártida esteja distante das principais fontes diretas de poluição, contaminantes como elementos traço e poluentes orgânicos persistentes podem chegar a esta região por transporte atmosférico e oceânico, acumulando-se nos organismos marinhos e aumentando ao longo das cadeias tróficas.
O projeto irá combinar amostragem em regiões do Oceano Austral, análises laboratoriais avançadas e modelação ecológica para compreender os níveis de base, as vias de bioacumulação e biomagnificação, e os fatores ambientais que influenciam a presença de contaminantes em organismos de diferentes níveis tróficos. Serão analisados organismos desde a base da cadeia alimentar, como plâncton e invertebrados, até peixes, lulas, aves marinhas e mamíferos marinhos, permitindo uma visão integrada do funcionamento das redes tróficas.
A comparação entre regiões com diferentes condições ambientais, incluindo áreas antárticas e subantárticas, permitirá usar gradientes climáticos naturais como aproximação às alterações previstas para o futuro. Assim, o FlowSOC irá identificar se mudanças na estrutura das cadeias alimentares, como a redução da importância do krill e o aumento de vias tróficas alternativas, podem aumentar a exposição de predadores de topo a contaminantes. Os resultados contribuirão para melhorar a previsão dos impactos combinados da poluição e das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos antárticos. O projeto terá ainda uma componente de comunicação, disseminação e transferência de conhecimento, com o objetivo de apoiar políticas internacionais de conservação, promover a monitorização ambiental e aumentar a consciencialização pública sobre a poluição marinha e a proteção do Oceano Antártico.
