Workshop em Madagáscar avalia estado de conservação de 88 espécies de anfíbios

Entre 17 e 22 de agosto, a Universidade de Antananarivo, em Madagáscar, acolheu uma formação dedicada à avaliação do risco de extinção de anfíbios segundo os critérios da Lista Vermelha da IUCN, que contou com a participação de Matthew Moreira, investigador do CESAM e do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. Durante o workshop foram avaliadas 88 espécies descritas recentemente, numa iniciativa resultante da colaboração entre o IUCN SSC Amphibian Specialist Group-Madagascar e a organização Miaro Ny Sahona (MISA).

Madagáscar é um dos territórios mais importantes do mundo para a conservação de anfíbios: são hoje conhecidas mais de 400 espécies, praticamente todas endémicas da ilha. O ritmo a que novas espécies têm sido descritas, porém, ultrapassa largamente a capacidade de as avaliar formalmente, o que significa que muitas permanecem sem qualquer estatuto de conservação atribuído e, por isso, fora do radar das políticas de conservação e do financiamento que delas dependem.

Foi precisamente esta lacuna que motivou o workshop realizado entre 17 e 22 de agosto de 2026 na Universidade de Antananarivo, em Madagáscar, que juntou 17 participantes malgaxes, incluindo estudantes, jovens investigadores e herpetólogos.

A formação organizou-se em torno de dois eixos. O primeiro, de natureza metodológica, incidiu sobre os critérios da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o sistema de referência mundial para classificar o risco de extinção das espécies, e sobre os procedimentos de avaliação e revisão que lhe estão associados. O segundo consistiu num curso de introdução ao R, orientado por Matthew Moreira, focado nas ferramentas necessárias para calcular de forma reprodutível os parâmetros espaciais exigidos pela IUCN, nomeadamente a extensão de ocorrência (EOO) e a área de ocupação (AOO), bem como para produzir os mapas de distribuição que acompanham cada avaliação. Todo o material foi desenvolvido em código aberto e fica disponível para as equipas locais continuarem o trabalho de forma autónoma.

Ao longo dos seis dias dedicados ao workshop, o grupo analisou 88 espécies de anfíbios descritas recentemente, cruzando dados de distribuição, informação ecológica extraída da literatura e ameaças documentadas para cada localidade, sobretudo a perda e degradação de floresta. Para cada espécie foi preparado um rascunho de avaliação que seguirá agora para revisão e submissão junto da IUCN.

O workshop resultou da colaboração entre Angelica Crottini, professora associada na Universidade de Florença (Itália), Dina Lydie Ramamonjisoa, coordenadora de projetos na Miaro Ny Sahona (MISA, Madagáscar), e Matthew Moreira. Mais do que produzir avaliações, a iniciativa procurou capacitar estudantes, investigadores e herpetólogos malgaxes para conduzirem autonomamente este tipo de trabalho, um objetivo determinante num país onde a biodiversidade é excecional e os recursos técnicos para a documentar continuam limitados.

Notícia original em: UA Notícias, 7 de setembro de 2026

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