HALIUS – Rizobactérias halotolerantes para aumento da tolerância de Olea europaea ao stresse salino e à infecção

Coordenador

Ângela Cunha

Programa

OE- Fundos Nacionais

Datas

29/03/2021 - 28/03/2024

Financiamento para o CESAM

249985 €

Financiamento Total

249985 €

Entidade Financiadora

FCT

Instituição Proponente

Universidade de Aveiro

Instituições Participantes

  • REQUIMTE/UA
  • GEOBIOTEC/UA

As comunidades microbianas associadas as plantas (fitomicrobiomas), e particularmente as bactérias promotoras do crescimento de plantas (plant-growth promoting bacteria, PGPB) são decisivas na adaptação dos hospedeiros ao stresse e na melhoria da sua condição fisiológica. Este efeito benéfico é exercido através da expressão de enzimas e fito-hormonas, mobilização de nutrientes, remoção de poluentes tóxicos, atenuação das respostas de stresse, estímulo das defesas imunitárias e biocontrole de agentes fitopatogénicos.

A manipulação direcionada do microbioma (engenharia do microbioma) representa uma ferramenta biotecnológica promissora para a sustentabilidade da agricultura, face às ameaças de seca, aridez e salinização do solo decorrentes das alterações climáticas. O microbioma de halófitas tem sido estudado como modelo das interações subjacentes à contribuição de PGPB para a tolerância ao sal. PGPB halotolerantes isoladas destas plantas têm sido testadas com sucesso para atenuar o stresse salino dos seus hospedeiros naturais e de plantas de interesse agrícola.
O olival é uma cultura milenar nas regiões Mediterrâneo. A elevada tolerância de Olea europaea à aridez e seca, tornam o cultivo tradicional compatível com o regime de baixa precipitação destas regiões. No entanto, a produção intensiva, em olivais de alta densidade, requer irrigação artificial. A precipitação escassa pode não assegurar lixiviação do excesso de iões dissolvidos na água de irrigação, aumentando o risco de salinização do solo em torno das raízes. O. europaea é também relativamente tolerante à salinidade, mas níveis elevados de stresse salino afetam negativamente o crescimento e a produtividade e podem agravar a suscetibilidade a doenças, como a síndrome do declínio rápido da oliveira (Olive Quick Decline Syndrome, OQDS) causada por Xylella fastidiosa.

O objetivo desta proposta é demonstrar que a engenharia da rizosfera de uma cultura economicamente relevante (Olea europaea) com bactérias promotoras do crescimento (plant-growth promoting bacteria, PGPB) halotolerantes, pode contribuir efetivamente para aumentar a tolerância a stresse abiótico (salinidade) e bióticos (infeção com X. fastidiosa).

O plano de trabalho envolve duas fases: uma etapa descritiva (fenomenológica) de campo e uma etapa experimental (laboratorial). A etapa de campo inicial, pretende caracterizar o microbioma (endosfera e rizosfera) de oliveiras e de solos em áreas representativas de produção e será implementado em colaboração com um parceiro privado (CARB-Casa Agrícola Rui Batel). A etapa experimental, será implementada seguindo um desenho fatorial, para testar (i) inoculação com PGPB selecionado, (ii) aumento da salinidade do solo e (iii) exposição à bactéria fitopatogénica X. fastidiosa. As diferentes tarefas que compõem o plano de trabalho serão focadas na análise de alvos específicos: microbiomas, crescimento e condição fisiológica das plantas e suscetibilidade das plantas a doenças.

Este projeto propõe uma abordagem interdisciplinar, envolvendo uma equipa de microbiologistas, fisiologistas de plantas, bioquímicos e geólogos, que permitirá a compreensão das interações planta-bactéria sob as perspetivas fundamental (ecologia microbiana) e aplicada (engenharia da rizosfera): (a) compreensão do efeito da salinização do solo no microbioma da oliveira (rizosfera e endosfera); (b) formulação de inóculos para a atenuação do stresse salino em olival; (c) o desenvolvimento de uma ferramenta biológica de defesa contra a infeção por X. fastidiosa.
A proposta integra a experiência anterior da equipa em (a) microbiologia da rizosfera de halófitas, na perspetiva da potencial aplicação de PGPB halotolerante em agricultura salina ou tradicional; (b) interações planta-microrganismo subjacentes às respostas ao stresse e à infeção. Os membros da equipa colaboraram já noutros projetos e o relacionamento com a empresa encontra-se formalizado por um protocolo de colaboração. As Unidades de Investigação envolvidas (CESAM, QOPNA, GEOBIOTEC na Universidade of Aveiro e UVa-INIA na Universidade de Valladolid) reúnem as competências, infraestruturas e equipamentos necessários para a implementação das atividades.

A relevância do tema deriva da importância económica de O. europaea, das ameaças eminentes que se deparam ao cultivo de olival, da novidade das abordagens de engenharia de microbiomas em agricultura, e do óbvio alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da agenda das Nações Unidas para a década (por exemplo, OSD2 – Fome Zero; OSD8 – Crescimento Económico).

É esperado um significativo impacto dos resultados na comunidade científica e em operadores do setor produtivo. O aprofundamento do conhecimento sobre as interações entre bactérias e plantas cultivadas contribuirá para ultrapassar algumas das atuais das incertezas e limitações que restringem a aplicação mais generalizada da engenharia de microbiomas em agricultura.

 

 

 

 

membros do CESAM no projeto

Maria Ângela Sousa Dias Alves Cunha

Professora Associada com Agregação

Maria Helena Abreu Silva

Professora Auxiliar

Newton Carlos Marcial Gomes

Investigador Principal com agregação

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