AVISOS

  • Prémio Fluviário 2022 - Jovem Cientista do Ano

    Este prémio pretende distinguir um aluno (PhD, MSc, Lic.) que tenha publicado, como primeiro autor, um artigo (revista SCI), no ano a que se refere o concurso, na temática conservação e biodiversidade de recursos aquáticos continentais (Estuários e Rios). A presente edição premiará o investigador distinguido, com o reconhecimento da qualidade e importância do seu trabalho e com um prémio monetário de 1000 euros. As candidaturas deverão ser submetidas até ao dia 15 de janeiro de 2023 e poderão ser feitas pelos professores orientadores, co-autores dos artigos ou pelos próprios alunos. Cada candidato só poderá submeter um artigo a concurso.


NOTíCIAS

  • Reportagem no Público acompanha o trabalho de alguns nossos investigadores na área da Biodiversidade

    A reportagem do jornal Público, ‘No estuário do Tejo capturam-se aves para aprender com elas’, acompanhou uma equipa de investigadores numa noite de captura e anilhagem de aves no âmbito do doutoramento do nosso aluno João Belo. Como referido na reportagem: “A informação que daí sairá, permitirá a João perceber os movimentos das aves dentro do estuário do Tejo e, cruzando esses dados com outros recolhidos pelo biólogo, espera-se perceber se elas estão a utilizar as melhores áreas de alimentação e, caso não estejam, porquê”. José Alves, investigador principal e orientador do trabalho de João Belo, explica, também nessa reportagem, que os dispositivos GPS colocados para a investigação de carácter mais local do João servem também para ser utilizados no estudo da conectividade migratória. À comunicação do CESAM, José Alves reforça ainda a ideia de que “É fundamental comunicar a nossa investigação em biodiversidade para que a sociedade conheça a riqueza biológica que (ainda) temos, pois sem a conhecer nunca terá motivos para a valorizar e proteger. Por outro lado, perceber o trabalho de equipa que está por trás do conteúdo científico produzido nesta área mostra também o nível de conhecimento técnico e o empenho dos investigadores, que vai muito para além do que se pode imaginar. Por exemplo no nosso caso, não é toda a gente que está disposta a sacrificar noites de sono a andar na lama ao frio e às escuras, e que se sujeita a isso para aprender e treinar técnicas de captura e anilhagem de aves, de forma a poder finalmente contribuir nestes trabalhos de investigação.”

  • CESAM celebra o Dia Mundial do Solo - conversa com Ana Bastos

    No próximo dia 5 de dezembro celebramos o Dia Mundial do Solo, com um conjunto de atividades abertas ao público. Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico | a partir das 14:00 h | entrada livre Para conhecer um pouco mais sobre a importância da data e do estudo dos solos fomos conversar informalmente com três das nossas investigadoras e interromper o seu trabalho. A terceira conversa foi com Ana Bastos (CESAM |Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro). Os excertos abaixo são o resultado dessa breve conversa informal, que ocorreu nos seus laboratórios. Vídeo disponível aqui Comunicação_CESAM: ‘Qual a importância que os solos possuem no nosso quotidiano?’ Ana Bastos: A nossa vida gira em volta do solo. O solo desempenha inúmeras funções vitais, e ao fazê-lo, está a prestar-nos múltiplos serviços. Poderíamos passar o resto do dia a falar das funções que o solo desempenha, mas há efetivamente algumas com que nos deparamos mais no nosso dia-a-dia: é estrutura e suporte para as nossas habitações e construções; é a base para a produção dos nossos alimentos (aliás, a FAO Fact Sheets estima que cerca de 95% das calorias que gastamos diariamente provém do solo) mas também fornece biomassa e matérias-primas (incl. as fibras téxteis para o nosso vestuário); regula a abundância e a qualidade dos nossos recursos hídricos (incluíndo eventos extremos, como inundações), assim como a qualidade do ar e da atmosfera (e neste caso, sendo a 2ª maior reserva de carbono do planeta, depois dos oceanos, tem um papel central na regulação climática); e aquela pela qual tenho uma preferência especial, é a de que é um reservatório de vida e biodiversidade ‘por excelência’, biodiversidade essa que tem inúmeras aplicações importantes, tal como na industria alimentar e na biomedicina (sabia que muitos dos nossos fármacos, incluindo antibióticos, imuno-suppressores e antitumorais, provém de (micro)organismos do solo?). No entanto, os solos estão sujeitos a inúmeras pressões, nomeadamente de origem antropogénica. Por isso, é vital investigarmos o modo como as nossas atividades impactam o solo, para podermos definir metas e soluções concretas para problemas concretos, nomeadamente por parte dos setores agroalimentar e agroflorestal. E no que toca à investigação em solos, o CESAM encontra-se numa posição de liderança, não só ao nível da inter- e trans-disciplinariedade que o caracterizam, mas também pela qualidade e aplicabilidade dos resultados que aqui são gerados. E aproveito a deixar o convite a estes setores: procurem o CESAM, procurem os nossos serviços, porque temos todo o interesse em trabalhar convosco na resolução dos vossos problemas, e que são, ao fim e ao cabo, problemas nossos. Comunicação_CESAM: ‘E quais as perguntas que procuram responder no vosso laboratório e que estão relacionadas com esta temática?’ Ana Bastos: A nossa investigação centra-se no estudo e aplicação sustentável de biocarvão (produto da pirólise de biomassa) a solos vulneráveis, para a melhoria e restauro de algumas funções específicas, sem no entanto, comprometer outras. E daí ter referido “sustentável”, e que obviamente, pressupõe muito trabalho de bastidores, a fim de identificar quais as combinações de fatores que garantem esse compromisso. Ora, e que funções do solo são essas que pretendemos optimizar? De um modo geral, prendem-se com: a capacidade de armazenar água (a que chamamos de função de “esponja” do solo), isto na perspetiva da melhoria da capacidade de adaptação do nosso ecossistema terrestre às alterações climáticas e combate à desertificação; a capacidade de reter nutrientes, e que combinada à retenção de água, conduz a um aumento da taxa de crescimento das plantas e produtividade agrícola/florestal; o sequestro de carbono, isto numa perspetiva de mitigação das alterações climáticas e redução da emissão de gases de efeito de estufa; por fim, outra função essencial que se tem tornado um ponto fulcral do nosso trabalho (porque ainda há muito pouca investigação nesta temática fora do CESAM), tem a ver com a melhoria do habitat para polinizadores e macroinvertebrados do solo, considerando o papel fundamental que estas comunidades têm, nomeadamente ao nível da produção agrícola e das cadeias tróficas terrestres. Claro está que trabalhamos sobretudo de forma interdisciplinar, e temos aqui algumas parcerias chave, nomeadamente com a Terraprima, o Instituto Superior Técnico (IST-ID), o Instituto Superior de Agronomia, o MED da Universidade de Évora, a Estação Vitivinícola da Bairrada (DRAPC) e a Universidade de Harper-Adams (Reino Unido). No entanto, mantemo-nos sempre abertos e interessados em estabelecer novas colaborações, dentro e fora da UA.      

  • CESAM celebra o Dia Mundial do Solo - conversa com Susana Loureiro

    No próximo dia 5 de dezembro celebramos o Dia Mundial do Solo, com um conjunto de atividades abertas ao público. Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico | a partir das 14:00 h | entrada livre Para conhecer um pouco mais sobre a importância da data e do estudo dos solos fomos conversar informalmente com três das nossas investigadoras e interromper o seu trabalho. A segunda conversa foi com Susana Loureiro (CESAM |Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro). Os excertos abaixo são o resultado dessa breve conversa informal, que ocorreu nos seus laboratórios. Vídeo disponível aqui Comunicação_CESAM: ‘Qual a importância que os solos possuem no nosso quotidiano?’ Susana Loureiro: Uma das funções importantes dos solos é filtrar tudo o que sejam substâncias químicas que vão parar aos solos. E vão parar aos solos desde pesticidas, fertilizantes agrícolas… vão parar aos solos lamas de ETARs de tratamento de águas resíduas… todos estes componentes têm substâncias químicas que podem ter uma mobilidade elevada ou reduzida, ou seja, percorrerem o perfil vertical dos solos de uma forma rápida, lenta ou não percorrem e ficarem imóveis.E se eles percorrem rapidamente o perfil do solo, chegam também rapidamente às águas subterrâneas e essas são a fonte da água que nós bebemos e são também a água que vai para os rios. Comunicação_CESAM: ‘E porque precisamos de ter investigação sobre solos?’ Susana Loureiro: O nosso objetivo é perceber se os solos têm algum contaminante que vai impactar, por exemplo, um rio ou um lago, ou se nos deixa de fornecer um serviço relacionado com a produção primária.Na componente agrícola, por exemplo, que é um dos serviços muito importantes dos solos, imagina que há a pulverização de um pesticida e chove intensamente nesse dia e isso provoca uma escorrência para um ribeiro que está num local adjacente. Automaticamente, tudo o que tu aplicaste vai escorrer para o rio. Atualmente os nossos solos estão saturados, muitas vezes de nitratos, de fosfatos devido à aplicação intensa e também de alguns compostos químicos que são persistentes nos solos. O que nós fazemos aqui é simular essa escorrência para os rios, através de uma mistura que nós fazemos de água com solo, que depois é agitada, centrifugada, extraída e testada com organismos vivos - organismos aquáticos de água doce. E mesmo em amostras ‘cegas’ (que não conhecemos a sua composição química), estes organismos vão-nos dar pistas sobre a saúde desse solo. Além de vários projetos que atualmente em curso, temos uma parceria com uma empresa chamada Entogreen, que é uma empresa dedicada à produção de insetos e que possui uma componente da circularidade ambiental. Aí os insetos alimentam-se de resíduos, quer vegetais ou de matrizes com uma complexidade importante ao nível de resíduos que não se conseguem ter um destino ambientalmente sustentável, por exemplo, o bagaço da azeitona da produção de azeite – que é um resíduo que não tem ainda um tratamento eficaz, porque tem uma matriz muito complexa e tóxica.Esses e outros resíduos, como restos de vegetais que vêm dos supermercados, são dados aos insetos e estes processam-nos, ou seja, comem-nos e os seus desperdícios em conjunto com as mudas das larvas dos insetos são peletizados e formam um fertilizante muito bom para solos. Outra componente que também estamos a trabalhar, está mais orientada para a poluição ambiental e que também está ligada ao ecossistema do solo. Existem vários projetos europeus e mundiais que estudam e que modelam como é que vamos estar daqui a uns anos e o futuro não é muito risonho. Estamos a perder muita biodiversidade nos solos, e esta é muito importante para a reciclagem normal e natural que os solos fazem da matéria orgânica, dos nutrientes…Nós tentamos ajudar com ferramentas de monitorização, ou seja, não fazemos processos de remediação, não fazemos tratamento de resíduos. O que nós fazemos é a verificação da eficácia do tratamento, porque analisar quimicamente uma matriz pode não ser suficiente, porque te pode ‘falhar’ algum composto específico. Mas nós utilizamos seres vivos (minhocas) que nos são capazes de indicar se existe ou não, alguma coisa que não está bem nessas amostras de solo.

  • CESAM celebra o Dia Mundial do Solo - conversa com Sónia Rodrigues

    No próximo dia 5 de dezembro celebramos o Dia Mundial do Solo, com um conjunto de atividades abertas ao público. Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico | a partir das 14:00 h | entrada livre Para conhecer um pouco mais sobre a importância da data e do estudo dos solos fomos conversar informalmente com três das nossas investigadoras e interromper o seu trabalho. A primeira destas conversas foi com Sónia Rodrigues (CESAM |Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro). Os excertos abaixo são o resultado dessa breve conversa informal, que ocorreu nos seus laboratórios. Vídeo disponível aqui Comunicação_CESAM: ‘Qual a importância que os solos possuem no nosso quotidiano?’ Sónia Rodrigues: Naturalmente a agricultura e a segurança alimentar são absolutamente essenciais para a nossa sociedade, tendo em conta que temos uma população mundial crescente. Mas há todo um conjunto de outras funções do solo que permitem, por exemplo, lidar com eventos meteorológicos extremos, onde a capacidade de infiltração de água no solo é essencial para controlarmos situações de inundação em áreas onde isso seja possível. (...) O solo tem também um papel muito importante no combate às alterações climáticas, ao nível do armazenamento de carbono. (…) Tem também uma função de filtro para águas de lixiviação e de proteção da qualidade das águas e daí muitas vezes, acumular contaminantes que assim chegam até ao solo. E depois naturalmente ao nível da saúde humana, porque a saúde dos solos tem também um impacto na saúde humana, porque se nós protegermos os ecossistemas do solo, reduzindo a sua contaminação, isso depois tem um impacto positivo na saúde dos organismos, dos animais e das populações desses locais.  Comunicação_CESAM: ‘E porque precisamos de ter investigação sobre solos?’ Sónia Rodrigues: A atividade humana tem vindo a desenvolver pressões sobre o sistema solo que limitam a sua capacidade de desenvolver as suas funções naturais. Atualmente, na europa, estima-se que entre 60 a 70% dos ecossistemas do solo estejam degradados e o que dificulta o desempenho das funções naturais do solo. E o nosso trabalho de investigação tem vindo a incidir sobre aspetos específicos destas funções do solo. Primeiramente começamos por desenvolver um conjunto de estudos onde tentávamos perceber esta capacidade de filtração do solo e dos processos que envolviam os contaminantes do solo. E de que forma é que estes contaminantes poderiam estar disponíveis para organismos e também para as plantas, do ponto de vista da segurança alimentar.Presentemente temo-nos vindo a focar na recuperação de algumas das funções perdidas, reutilizando materiais e subprodutos que vamos recolher às indústrias, numa perspetiva de economia circular. Após estes subprodutos serem incorporados em corretivos de solos e fertilizantes, serão devolvidos aos solos, ajudando na recuperação de áreas onde a vegetação já não cresce e onde as suas funções de filtração estão em risco. Isto integrado na perspetiva do novo regulamento europeu de fertilizantes, atualizado em 2019, que permitiu a incorporação de resíduos orgânicos e de alguns subprodutos da indústria em matérias fertilizantes, desde que cumpram os requisitos ambientais e de segurança da nova legislação.Além disto, a nossa investigação tem também uma componente significativa da utilização de nanotecnologia e de novos nanomateriais que podem ser utilizados como veículos de aplicação mais eficiente, quer de fertilizantes quer também de alguns produtos pesticidas.Este trabalho está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade de Carnegie Mellon, já desde há uns anos a esta parte (…) e temos também uma colaboração muito estreita com o Laboratoire Géosciences Environnement Toulouse (GET) da Universidade de Toulouse. (…) Temos ainda colaborações com a indústria, como a Navigator Company por exemplo, que é uma indústria com quem temos colaborado ao nível do fornecimento de alguns resíduos numa parceria no âmbito de um projeto científico, o ‘LIFE No_Waste’.

Financiamento do CESAM: UIDP/50017/2020 + UIDB/50017/2020 + LA/P/0094/2020