No mais recente episódio do Science Cast, Seila María Díaz Costas, investigadora do CESAM/DBIO, partilhou o seu percurso científico e deu a conhecer o trabalho que tem vindo a desenvolver na área da biologia marinha, com especial enfoque nos cancros transmissíveis em bivalves. Ao longo da conversa, destacou a singularidade destas doenças, que, ao contrário da maioria dos cancros, podem ser transmitidas entre indivíduos, constituindo um fenómeno raro e ainda pouco compreendido pela ciência.

Durante o episódio, a investigadora explicou de que forma estuda estes processos, recorrendo a ferramentas de genética e biologia molecular para identificar alterações celulares e compreender os mecanismos que permitem a propagação das células cancerígenas entre organismos. Sublinhou ainda o impacto que estas doenças podem ter nos ecossistemas marinhos, afetando populações de espécies com elevada importância ecológica e económica, como os bivalves explorados na pesca e na aquacultura.

Seila Díaz abordou também a relevância mais ampla da sua investigação, referindo que o estudo destes cancros transmissíveis pode contribuir para avanços na área da oncologia, ao revelar novos mecanismos de desenvolvimento e disseminação do cancro. Esta ligação entre a investigação marinha e a saúde humana evidencia o carácter interdisciplinar da ciência e o potencial do conhecimento produzido nos oceanos para responder a desafios globais.

Para além da investigação, a cientista destacou a importância da comunicação científica e da aproximação ao público, reforçando que tornar temas complexos mais acessíveis é fundamental para promover uma sociedade mais informada e consciente do papel da ciência. Iniciativas como este podcast assumem, assim, um papel relevante na divulgação do conhecimento científico, permitindo dar visibilidade ao trabalho desenvolvido nos centros de investigação.

A conversa terminou com uma reflexão sobre a importância de continuar a investir na investigação científica e na proteção dos ecossistemas marinhos. O episódio evidenciou como o estudo dos oceanos vai muito além da biodiversidade, contribuindo também para avanços científicos com impacto direto na sociedade e na compreensão de fenómenos complexos como o cancro.

Vê o episódio completo do Science Cast aqui.

Joana Fernandes e Inês Castro, estudantes de doutoramento do CESAM/DBIO da Universidade de Aveiro, integram a estrutura do OYSTER – Orienting Young ScienTists of EuroMarine – para 2026. Joana Fernandes mantém funções como co-chair do grupo, enquanto Inês Castro integra pela primeira vez a equipa, passando a colaborar no Engagement Team.

O OYSTER é o grupo de trabalho permanente da rede EuroMarine dedicado ao apoio a investigadores em início de carreira na área das ciências marinhas, promovendo a sua representação, desenvolvimento profissional e participação em iniciativas científicas e de networking .

No final de 2025, o processo de seleção para novos membros recebeu 21 candidaturas, das quais 20 foram consideradas elegíveis, representando 12 instituições da rede EuroMarine distribuídas por cinco países europeus. Deste conjunto, foram selecionados 12 novos membros para integrar o OYSTER em 2026.

A composição do grupo mantém-se com 25 membros, provenientes de 15 instituições e 10 países, organizados em seis equipas de trabalho: coordenação, secretariado, comunicação, mentoria, envolvimento e aquisição de financiamento. Esta última equipa foi criada em 2026 como unidade de apoio, com o objetivo de reforçar a captação de financiamento, promover colaborações institucionais e aumentar a visibilidade das atividades do grupo.

Adicionalmente, foram identificados três candidatos suplentes, que poderão integrar o OYSTER caso se verifiquem desistências ou falta de participação ao longo do ano.

Para 2026, o OYSTER implementa também uma nova estrutura organizacional, assente na definição de líderes de equipa responsáveis pela articulação com a coordenação e pela comunicação interna. Esta reorganização pretende melhorar a eficiência e a fluidez na colaboração entre equipas.

A participação de Joana Fernandes e Inês Castro reforça a presença do CESAM nesta iniciativa europeia, contribuindo para a dinamização de redes internacionais e para o envolvimento ativo em ações dirigidas a investigadores em início de carreira nas ciências marinhas.


O projeto CCforBio – Corredores ecológicos em plantações florestais: benefícios para a biodiversidade, produção de madeira e sequestro de carbono, do CESAM, coordenado pela investigadora Bruna Oliveira, do CESAM/DAO, foi distinguido com o Prémio de Inovação na 5.ª edição do Prémio Floresta É Sustentabilidade, promovido pela Biond, cuja cerimónia de entrega tem lugar hoje em Monsanto.

Desenvolvido nas Matas Litorais, o CCforBio instalou um corredor ecológico ao longo de uma linha de água numa área ardida em 2017, anteriormente invadida por acácias e rodeada por plantações de pinheiro-bravo, através do controlo de espécies invasoras e da plantação de espécies nativas. Para além de restaurar a biodiversidade, com especial foco no coelho-bravo, o projeto integra testes de remediação de solo, balanços de carbono para quantificar o sequestro associado ao corredor e uma análise custo-benefício que demonstra o contributo destes corredores para tornar as paisagens florestais mais resilientes.

Assente no envolvimento de agentes florestais e comunidades locais em todas as fases do processo de decisão, o projeto contribui para reforçar a valorização ecológica, social e económica do restauro ecológico.

Financiado pela Fundação Belmiro de Azevedo e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e desenvolvido em estreita articulação com o ICNF, Centro PINUS, Viveiros do Furadouro – Altri Florestal e restantes agentes da floresta, o CCforBio afirma-se como um exemplo pioneiro de gestão de plantações florestais que concilia produção, conservação da natureza e adaptação às alterações climáticas.

Assinala-se hoje, 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde, uma data que convida à reflexão sobre os grandes desafios que ameaçam o bem-estar das populações e sobre a importância de respostas integradas e sustentáveis. Neste contexto, o CESAM destaca-se pela sua missão alicerçada no conceito de Uma Só Saúde (One Health), que reconhece a profunda interligação entre pessoas, animais, plantas e o ambiente em que coexistem.

A degradação dos ecossistemas, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, a poluição, a disseminação de agentes patogénicos e o aumento da resistência aos antimicrobianos demonstram que os problemas de saúde não podem ser analisados isoladamente. A qualidade do ar, da água e dos solos, a emergência de zoonoses, o uso excessivo de antibióticos e a contaminação dos ecossistemas são alguns dos desafios que exigem uma abordagem interdisciplinar.

Neste âmbito, o CESAM desenvolve investigação que integra diferentes áreas do conhecimento para compreender melhor as interações entre o ambiente e os sistemas vivos, contribuindo paraa definição de políticas públicas e estratégias de mitigação.

Os diferentes clusters de investigação do CESAM contribuem para esta abordagem. O trabalho desenvolvido em monitorização ambiental, saúde e avaliação de riscos permite estudar os efeitosda poluição, dos contaminantes emergentes e dos microrganismos na saúde humana e ambiental. A investigação em gestão e conservação de ecossistemas centra-se na preservação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas, enquanto o trabalho em funções do solo, agricultura e florestas aprofunda a relação entre os solos, a produção alimentar, a qualidade ambiental e a saúde. A esta dimensão juntam-se ainda os contributos de outros clusters, nomeadamente nas áreas dos ecossistemas marinhos e de transição, da modelação oceânica e atmosférica e da economia circular, reforçando a visão integrada que caracteriza a abordagem Uma Só Saúde.

Entre os vários temas estudados no CESAM, destaca-se a investigação sobre a contaminação por mercúrio em pescado e os seus potenciais riscos para a saúde humana, incluindo potenciais efeitos reprodutivos, evidenciando a importância de compreender a transferência de contaminantes ao longo da cadeia alimentar. Merecem igualmente destaque os estudos sobre osmicroplásticos e a sua presença em diferentes ecossistemas, bem como a investigação sobre o aparecimento e a disseminação de bactérias multirresistentes, que representam um dos maiores desafios atuais para a saúde pública.

Outro exemplo relevante é o estudo da qualidade do ar urbano e dos seus impactos na saúde humana, integrando fatores como partículas atmosféricas, poluentes químicos, microrganismos e vegetação urbana. Estes estudos ajudam a identificar medidas que promovam cidades mais saudáveis, resilientes e sustentáveis, apoiando políticas públicas de saúde e de ordenamento do território.

Destaca-se ainda a monitorização da qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos, incluindo a deteção de contaminantes emergentes, microplásticos e agentes patogénicos. Esta investigação é essencial para garantir a segurança dos recursos hídricos, proteger a biodiversidade e reduzir riscos para a saúde.

Ao assinalar o Dia Mundial da Saúde, o CESAM reforça o seu compromisso com uma ciência que liga ambiente, biodiversidade e saúde, contribuindo para antecipar riscos, desenvolver soluções inovadoras e promover sociedades mais sustentáveis. Num mundo marcado por desafios globais cada vez mais complexos, a abordagem Uma Só Saúde é essencial para promover um equilíbrio mais sustentável entre as pessoas, os restantes seres vivos e o ambiente.



Notícia por Amadeu Soares, Diretor do CESAM, e Artur Alves, investigador do CESAM/DBIO e professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro (Vice-Coordenador do Cluster de Investigação 5 – Monitorização Ambiental, Saúde e Avaliação de Riscos)


Especialistas internacionais e equipa de investigação analisam resultados alcançados, oportunidades futuras e o legado a longo prazo do projeto ERA Chair.

O projeto BESIDE ERA Chair realizou a sua 3.ª reunião do Steering Committee, no dia 18 de março de 2026, na Universidade de Aveiro, reunindo membros do Advisory Board e toda a equipa de investigação BESIDE, incluindo a Coordenadora Científica, Ana Lillebø, investigadora do CESAM/DBIO, e a ERA Chair Holder, Helena Vieira, investigadora do CESAM/DAO, para avaliar o progresso alcançado e definir a contribuição estratégica do projeto para a liderança científica da Universidade nos próximos anos.

A reunião, realizada na Sala do Senado da Reitoria e no ECOMARE, constituiu um momento-chave para refletir sobre os resultados alcançados pelo BESIDE e, sobretudo, para discutir o seu impacto institucional a longo prazo. Os participantes centraram-se na forma como o projeto está a reforçar a excelência da investigação, a visibilidade internacional e a integração interdisciplinar no CESAM e em toda a Universidade.

Os membros do Advisory Board do BESIDE participaram nas discussões tanto presencialmente como à distância, interagindo com investigadores, estudantes de doutoramento e com a liderança do projeto, num contexto de partilha alargada e reflexão estratégica.

Ao longo da reunião, foi destacado o significativo progresso científico e organizacional do projeto, incluindo o aumento da produção científica, a captação de financiamento competitivo e a consolidação de uma equipa de investigação dinâmica e internacionalmente conectada. O Advisory Board salientou que estes resultados posicionam o BESIDE como um catalisador para o reforço da capacidade do CESAM e para a afirmação da liderança da Universidade de Aveiro na resposta a desafios complexos de sustentabilidade.

Um dos principais focos da discussão foi a sustentabilidade e o legado da iniciativa ERA Chair. Os participantes exploraram formas de garantir que as abordagens, as redes e a agenda científica do BESIDE continuem a influenciar as prioridades institucionais para além da duração do projeto, contribuindo para a atração de talento, a inovação científica e um maior envolvimento com a sociedade.

Ao promover a integração das ciências naturais e socioeconómicas e ao incentivar estratégias de investigação orientadas para o futuro, o BESIDE assume um papel cada vez mais relevante no apoio à ambição da Universidade de Aveiro de consolidar a sua posição como referência internacional na investigação e inovação em sustentabilidade.

O projeto A-AAGORA, coordenado por Ana Lillebø, investigadora do CESAM/DBIO, participou nos European Ocean Days 2026, em Bruxelas, onde realizou a sua Assembleia Geral final. O encontro destacou os principais resultados alcançados e o objetivo de expandir soluções locais inovadoras para uma implementação mais ampla e duradoura na restauração de ecossistemas costeiros.

Um dos focos centrais foi o impacto nas políticas públicas, sublinhando a necessidade de integrar soluções inovadoras em sistemas de governação e reforçar o papel das iniciativas europeias como ecossistemas de inovação.

No plano social, evidenciou-se o papel dos living labs como espaços colaborativos que promovem abordagens participativas. Estes permitem envolver comunidades, escolas e outros atores locais, aumentando a consciencialização e facilitando a adaptação das soluções a diferentes contextos.

Em termos ambientais, foram apresentados modelos práticos concebidos como guias acessíveis para apoiar a implementação de soluções de restauro, com forte componente participativa e foco na sua replicação.

A análise económica mostrou que muitas destas soluções geram benefícios públicos a longo prazo, mas requerem frequentemente apoio público. A sua viabilidade depende também de fatores como enquadramento institucional, alinhamento político e modelos de financiamento adequados.

Para terminar, foram apresentados os próximos passos. O projeto está a termina recursos diversos, incluindo plataformas digitais, MOOC, jogos sérios e uma Spring School.  Os resultados continuarão a ser divulgados em eventos internacionais ao longo de 2026. O evento terminou em festa, com a celebração dos resultados alcançados e o interesse em continuar a expander o impacto do projeto no futuro.

No dia seguinte, no 4th Mission Ocean and Waters Forum, o A-AAGORA voltou a ter um esçoa de exposição, partilhado com os projectos CLIMAREST e BlueActionAA, onde foram apresentados resultados, publicações, policy briefs, jogos, vídeos e diversos materiais informativos, promovendo o contacto direto com o público e a disseminação do trabalho desenvolvido.

No dia 25 de março, o Jornal da Noite da SIC emitiu uma reportagem de investigação sobre a proposta de relocalização do Aeroporto Luís de Camões para o interior do Campo de Tiro, próximo de Alcochete, que contou com os contributos de José Alves e Afonso Rocha, investigadores do CESAM/DBio . A intervenção dos especialistas centrou-se nos potenciais impactos desta relocação na avifauna do Estuário do Tejo, uma das zonas húmidas mais relevantes da Europa.

A proposta em análise prevê uma maior sobreposição entre os cones de aproximação das aeronaves e a Zona de Proteção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo, o que, de acordo com os investigadores, poderá agravar significativamente os riscos quer para a conservação da biodiversidade, quer para a segurança da navegação aérea. Esta área protegida acolhe anualmente milhares de aves, incluindo espécies migradoras que utilizam o estuário como ponto estratégico de alimentação, repouso e reprodução.

Ao longo da reportagem, José Alves destacou a intensidade dos movimentos de aves nesta região e a sua variabilidade ao longo do ano, sublinhando que a elevada densidade de indivíduos em determinadas alturas potencia a probabilidade de interação com aeronaves. O investigador chamou a atenção para o facto de o Estuário do Tejo constituir um hub importante dos corredores migratórios da Europa Ocidental, sendo por isso uma área de elevada sensibilidade ecológica que exige uma avaliação rigorosa em qualquer projeto de grande escala.

Por sua vez, Afonso Rocha reforçou a importância de compreender os padrões de utilização do espaço pelas aves, nomeadamente em termos de rotas de voo e comportamento, alertando para possíveis alterações decorrentes da introdução de infraestruturas desta natureza. O investigador salientou que mudanças no uso do território podem provocar deslocações de espécies, alterações nos habitats e impactos cumulativos que nem sempre são imediatamente visíveis, mas que podem comprometer o equilíbrio ecológico da região.

As intervenções dos investigadores do CESAM/DBio evidenciam a necessidade de integrar conhecimento científico especializado nos processos de decisão associados a grandes infraestruturas, sobretudo quando estas incidem sobre áreas classificadas. A análise dos potenciais impactos sobre a avifauna surge, assim, como um elemento central para garantir soluções que conciliem desenvolvimento e conservação da natureza.

Reportagem completa aqui.

Um estudo publicado na Mammalian Biology confirma hibridação entre toirão (Mustela putorius) e furão-doméstico utilizado para a caça (Mustela putorius furo), mediante análise genética, um cenário que poderá comprometer a integridade genética das populações silvestres e um alerta sobre as implicações para a conservação da vida selvagem na Península Ibérica. Este trabalho foi liderado pela Universidad de Cádiz (Espanha) e integra Victor Bandeira, membro do CESAM e do departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.

O toirão, um parente silvestre do furão-doméstico, é um pequeno carnívoro amplamente distribuído na Europa, embora as suas populações tenham diminuído em várias regiões devido à perda de habitat, à perseguição humana e a outros fatores antrópicos como as colisões rodoviárias, conduzindo ao estatuto de ameaça de “Em perigo” em Portugal, na mais recente revisão do Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental. A libertação ou fuga de furões-domésticos facilita o contacto com toirões, promovendo cruzamentos que podem passar despercebidos. 

Do ponto de vista evolutivo, a origem ancestral do furão-doméstico continua a ser um tema de debate científico. Alguns autores propõem que descende do toirão-das-estepes (Mustela eversmanii), enquanto outros consideram que a sua forma ancestral silvestre é o próprio toirão. Em todo o caso, atualmente, o furão é tratado comummente como uma subespécie domesticada do toirão, visão adotada neste estudo. Esta relação de parentesco explica porque é que a hibridação é biologicamente possível e porque é que, em muitos casos, os indivíduos híbridos não podem ser facilmente distinguidos apenas pela aparência exterior.

Neste estudo, a equipa de investigação analisou amostras genéticas de toirões que foram atropelados em estradas de diferentes regiões de Espanha, uma vez que esta é uma das principais ameaças para a espécie. Os toirões que ocorrem em ecossistemas agrícolas especializam-se frequentemente na predação de coelhos, que são particularmente abundantes nos taludes das estradas, e, por isso, correm o risco de serem atropelados quando acedem às luras. Por outro lado, os autores recolheram amostras de sangue de furões-domésticos utilizados para caçar coelhos, em várias províncias de Espanha, com a autorização dos detentores. Este procedimento permitiu detetar casos de introgressão genética — ou seja, há troca de material genético entre espécimes domésticos e silvestres — confirmando, assim, a existência de indivíduos híbridos na natureza.

Um dos aspetos mais notáveis deste trabalho é a sua forte componente de ciência cidadã. A obtenção de amostras biológicas de toirões foi possível devido à colaboração de inúmeros voluntários através do projeto “Distribución, Conservación y Ecología del Turón en la Península Ibérica“, bem como à participação de agentes ambientais e funcionários de centros de recuperação de animais selvagens de todo o país. Esta rede colaborativa permitiu a recolha de amostras provenientes de diferentes locais de Espanha, alargando significativamente o âmbito geográfico do estudo e possibilitando uma análise genética a nível espanhol.

Os resultados revelam elevadas taxas de hibridação para ambos os taxa, com 15% dos furões e 35% dos toirões analisados a apresentarem algum grau de hibridação. Assim sendo, alguns espécimes inicialmente classificados como toirões ou furões puros eram, na realidade, híbridos. Além disso, os autores encontraram um espécime híbrido de primeira geração, descendente de uma mãe toirão e de um pai furão, confirmando a remoção ilegal de espécimes selvagens do meio natural para a utilização na criação em cativeiro. Estes resultados confirmam que a hibridação não é apenas um fenómeno histórico, mas também ocorre recorrentemente na atualidade.

Do ponto de vista da conservação, as conclusões deste estudo podem ter importantes consequências. A hibridação pode diluir as adaptações locais do toirão e dificultar a identificação de indivíduos geneticamente “puros”, complicando a gestão populacional e o desenvolvimento de estratégias de conservação. Além disso, a presença de híbridos pode interferir com os programas de monitorização e avaliação do estado da espécie.

“O principal risco não é apenas a existência ocasional de híbridos, mas sim que a hibridação se mantenha ao longo do tempo e possa erodir progressivamente a identidade genética das populações selvagens e a sua capacidade de adaptação”, afirma Tamara Burgos, autora principal do estudo.

O estudo sublinha a necessidade de reforçar os controlos relativos à detenção e libertação de furões, especialmente os que são utilizados para a caça de coelhos, que frequentemente se perdem ou são abandonados na natureza, bem como de incorporar ferramentas genéticas nos programas de monitorização do toirão. Os autores realçam que compreender a verdadeira magnitude da hibridação é essencial para garantir a conservação a longo prazo deste carnívoro pouco conhecido nos ecossistemas ibéricos.

A investigação foi desenvolvida por investigadores da Universidade de Cádiz, da Universidade Rey Juan Carlos, da Universidade Complutense de Madrid, do Museu Nacional de Ciencias de Madrid, em Espanha, e da Universidade de Aveiro, em Portugal, contando ainda com a participação de mais de 80 voluntários no projeto de ciência cidadã.

Referência bibliográfica: Burgos, T., Virgós, E., Carmona, G., Martin-Garcia, S., Hernández-Hérnandez, J., Bandeira, V., Quiles, P., Palacín, C., Martín, C.A., Barrientos, R. and Horreo, J.L. (2026). High rates of hybridization between European polecats and domestic ferrets across the Iberian Peninsula. Mammalian Biology. DOI: https://doi.org/10.1007/s42991-026-00573-8.

@ Fotografia por Guillermo Carmona


A estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Vigo é a principal fonte de partículas de microplásticos na ria», indica um artigo publicado na Marine Pollution Bulletin por investigadores do CESAM/DFis (Portugal), em colaboração com a equipa EphysLab do Centro de Investigação Marinha da Universidade de Vigo. O estudo, disponível na plataforma ScienceDirect, procura determinar qual é a percentagem destes contaminantes que permanece na ria e quantos se dispersam no mar aberto. Para tal, os investigadores efetuaram diferentes simulações com o objetivo de compreender como o vento e as marés afetam as concentrações de microplásticos na ria de Vigo.

A investigação conclui que as zonas de Canido e Samil são as mais expostas a estes contaminantes, uma vez que o ETAR Lagares atua como a principal via de entrada de microplásticos na ria. Estas partículas, com menos de cinco milímetros e impercetíveis a olho nu, degradam o ambiente e acumulam-se nos organismos de seres vivos, incluindo os humanos. De facto, vários estudos científicos alertam que podem provocar efeitos graves à saúde. Os investigadores indicaram ainda que, durante o trabalho, «foram instantaneamente libertadas meio milhão de partículas à superfície» a partir da ETAR de Lagares.

Normalmente, as águas tratadas pela ETAR de Vigo são descarregadas junto ao leito marinho por meio de um emissário submarino, mas, no caso dos microplásticos, o comportamento é diferente, pois não permanecem no fundo: «ascendem rapidamente através da coluna de água e atingem a superfície em poucos minutos (entre 4 e 9 minutos)», explicam.

O estudo destaca também que a força do vento «exerce uma influência dominante sobre o destino e a dinâmica dos microplásticos flutuantes na Ria de Vigo». Assim, ventos intensos, combinados com episódios de afloramento e marés mortas, favorecem que a maior parte dos microplásticos se desloque para a plataforma continental (mar aberto). Pelo contrário, durante as marés vivas, os contaminantes tendem a concentrar-se nas zonas costeiras, especialmente em Samil e Canido. Nestas condições, os investigadores concluem que podem ficar retidas na zona até 40 % das partículas emitidas.

Os investigadores concluem que estes resultados demonstram «a importância de considerar a variabilidade atmosférica na definição de estratégias de gestão eficazes para a região». Do mesmo modo, sublinham que o seu trabalho evidencia «a necessidade de integrar estes processos nas práticas de gestão de águas residuais para melhorar a monitorização e mitigar a poluição por microplásticos das estações de tratamento».

Notícia e Fotografia original em: La Voz de Galicia, 26 de março de 2026

A iniciativa Aprender com o CESAM, dedicada à literacia científica para crianças, jovens e famílias, chega hoje ao Expressinho, o suplemento infantojuvenil do semanário Expresso, e à revista Estrelas & Ouriços, alargando o seu alcance a nível nacional.

A primeira peça, intitulada “Construir casas e prédios também adoece o planeta?”, é uma adaptação de um artigo original publicado na Journal of Building Engineering, com coautoria de Ana Cláudia Dias, investigadora do CESAM/DAO. O conteúdo explora de forma acessível o impacto ambiental dos edifícios — desde o consumo de energia e os materiais de construção até às emissões associadas ao ciclo de vida do edificado — e inclui atividades práticas para contexto escolar ou familiar.

Desenvolvida em parceria com a plataforma Estrelas & Ouriços e lançada no âmbito das comemorações dos 25 anos do CESAM, esta série traduz investigação científica produzida no centro em conteúdos rigorosos e acessíveis, promovendo a consciência ambiental desde a infância.

A presença no Expressinho constitui um passo relevante na disseminação deste trabalho junto de públicos não especializados, levando temas centrais da sustentabilidade — como alterações climáticas, biodiversidade e uso eficiente de recursos — a um público jovem, em formatos adaptados e com ligação ao quotidiano.

Os conteúdos, incluindo as versões finais da adaptação de cada um dos artigos originais para as crianças, jovens e famílias, podem ser consultados na página “Aprender com o CESAM“, onde serão progressivamente agregados os materiais da iniciativa.

Santos, A. K., Ferreira, V. M., & Dias, A. C. (2025). Promoting decarbonisation in the construction of new buildings: A strategy to calculate the embodied carbon footprint. Journal of Building Engineering, 103, 112037. https://doi.org/10.1016/j.jobe.2025.112037